Nota do setorial de mulheres do PSOL/SP sobre os abusos sexuais no metrô e o quadro do programa Zorra Total

Dia 05 de outubro o Sindicato dos Metroviários de SP protocolou junto a Rede Globo uma carta aberta exigindo que fosse tirado do ar um quadro do programa Zorra Total que incita a violência e o abuso sexual contra mulheres nos trens do metrô.

O Partido Socialismo e Liberdade se solidariza a esta luta, pois compreende que é necessário enfrentar e combater a violência simbólica a qual estamos todas expostas dia após dia via grande mídia, seja com piadas minimizando a violência contra a mulher como neste caso, seja como a reificação diária a qual somos submetidas rotineiramente na publicidade, programas feminismo e novelas.

Acreditamos também que é fundamental agregar a esta luta reivindicações diretamente ao governo do nosso estado, o qual é responsável pela (in)gerência do metrô e da CPTM, não investindo no transporte público e na capacitação de profissionais responsáveis pelo atendimento de mulheres em situação de violência. Os problemas enfrentados no metrô e na CPTM de lotação de trens, falta de vagões exclusivos para mulheres e maior número de assentos destinados a grávidas, idosas e portadoras de necessidades especiais colabora diretamente com a quantidade absurda de casos de violência e abuso que tem sido denunciados pelo sindicato dos metroviários de nosso estado.

Para nós é importante juntar ao debate de violência simbólica perpetrado pelo quadro no programa da Rede Globo com a reivindicação concreta do que hoje pode mudar a situação das mulheres dependentes do transporte público em nosso estado e nisso nos coloca frontalmente contra o processo de privatização que temos visto o tucanato tocar nestes últimos anos.

O governo do estado tem tanta responsabilidade na perpetuação da violência machista assim como a Rede Globo, pois não investe na ampliação do metrô de forma qualificada, não garante políticas públicas que garantam a integridade física e psicológica das mulheres no metrô e na CPTM. A luta contra a precarização e privatização do transporte público em nosso estado também é a luta para combater a violência contra as mulheres paulistas, pois o que vemos todo sábado a noite coisificando a mulher é reflexo direto do que vemos nos trens do metrô e da CPTM todos os dias e precisa ter uma solução tanto por parte da Rede Globo retirando o quadro do ar, como do governo paulista garantido maior números de trens nas linhas, vagões exclusivos de mulheres e profissionais capacitados para acolher as mulheres que forem abusadas no transporte público.

1 comentário

  • Excelente texto, entretanto tenho discordância com uma questão pontual: não acho que as mulheres devam ser segregadas, escondias, preservadas, em um vagão exclusivo para serem respeitadas. Compreendo a intensão, mas cuidado, considero esta reivindicação como um deslize em relação a questão central: o machismo.

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