Aborto não é caso de polícia, é questão de saúde pública!

6 milhões de abortos ocorrem todos os anos na América Latina. 1,4 milhão é praticado no Brasil. 1 em cada 7 mulheres brasileiras

já fez um aborto. A prática de aborto clandestino é a terceira causa de morte materna no país. A maioria das mulheres que fazem

aborto no Brasil tem de 20 a 29 anos, com união estável, são católicas, já possuem ao menos um filho e são usuárias de

anticoncepcionais (dados da UNB).

A criminalização do aborto não tem resolvido o problema, muito pelo contrário. Todas sofrem com a proibição do aborto, mas

enquanto as mulheres ricas o fazem de maneira segura em clínicas clandestinas de alta qualidade, as mulheres pobres morrem nos

corredores dos hospitais; vão para a cadeia; culpabilizadas, deprimidas e torturadas psicologicamente por uma gravidez pela qual

elas não optaram e não conceberam sozinhas. Somos nós que decidimos se queremos ter um/a filho/a, mais ninguém, nenhuma instituição, nenhuma pessoa e nenhuma entidade

religiosa! E o Estado deve garantir políticas sociais, como direitos sexuais e reprodutivos, saúde integral, educação, assistência

social a todas as mulheres, querendo elas ou não ter filhos/as. A defesa do Estado laico, ou seja, que seja independente de qualquer religião, é a defesa da vida de milhões de mulheres. O aborto

é proibido devido a uma concepção religiosa, isso significa que o Estado não esta respeitando seu princípio de laicidade – quando

o Estado não é laico não há respeito à pluralidade de pensamento e credo, ficamos à mercê da religião dos governantes. O governo Lula e o governo Dilma apresentaram um estreitamento de relações com os setores mais conservadores da sociedade,como a

Frente Parlamentar Pró-Vida e o Vaticano, anunciando que os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres não são prioridade do governo.

Da mesma maneira, o governo tucano no Estado de São Paulo, com a privatização da saúde estadual e OS’s – Organizações Sociais, em sua maioria controlada por grupos religiosos –, bem como a aprovação de leis municipais que proíbem a implantação de DIU no SUS e

a distribuição de pílula do dia seguinte, rifa os nossos direitos.

Defendemos:

•Educação sexual a todas e todos para prevenção da gravidez e doenças sexualmente transmissíveis!

•Contraceptivos e anticoncepcionais nos postos de saúde para não engravidar!

•Aborto legal, seguro e gratuito, garantido pelo SUS, para não morrer!

Nenhuma mulher morta mais!

1. Vocês defendem o aborto até o nono mês?

Não. Defendemos até 12 semanas de gestação. Mais do que isso, coloca a vida da mulher em risco, além de que após 5 meses de gestação a criança já tem condições de viver fora do corpo da mãe.

2. Legalizar o aborto aumenta o número de abortos que serão realizados no Brasil? Não, em alguns países os números diminuem com a legalização, como no caso de Portugal. Isso porque a legalização vem acompanhada de educação sexual para todos e todas.

3. O aborto é um método de prevenção da gravidez? Não. O aborto é escolhido pelas mulheres como o último recurso para não ter um/a filho/a. Seja pela intervenção no nosso corpo, seja pelo trauma psicológico. O aborto não é a “via fácil” contacepitiva. Por isso, é imprescindível educação sexual e a distribuição de camisinhas, contraceptivos de emergências (pílula do dia seguinte) e anticoncepcionais nos postos de saúde. 4. Se todas as mulheres tivessem acesso ou usassem contraceptivos não haveria aborto? Não, os contraceptivos falham. A camisinha estoura, a pílula tem um percentual de eficácia e a pílula do dia seguinte também pode não fazer efeito. Mais da metade das mulheres jovens adultas que abortam declaram o uso de métodos, em especial a pílula.

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