Com panfletagem, Psol quer rigor no caso Semasa

Matéria publicada no Jornal Diário do Grande ABC, domingo, 06 de maio de 2012.

Marcelo Reina,  durante mobilização da população de Santo André, exigindo rigor nas investigações das denúncias de corrupção envolvendo o Semasa.

Com panfletagem, Psol quer rigor no caso Semasa

Integrantes do Psol de Santo André estiveram na manhã de ontem na rua Coronel Oliveira Lima, uma das principais vias comerciais da cidade, distribuindo panfletos em que exigem maior rigor nas investigações sobre o suposto esquema de extorsão no Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental).

No material, o partido, que lançará Marcelo Siliano candidato a prefeito, propõe afastamento imediato do superintendente da autarquia, Ângelo Pavin (PMDB), auditoria nas contas do Semasa e convocação do chefe do Executivo, Aidan Ravin (PTB), para depor na CPI aberta na Câmara. Além do Legislativo, o Ministério Público e a Polícia Civil apuram a denúncia.

O caso veio à tona no início de março, quando o então diretor de gestão Ambiental Roberto Tokuzumi confirmou a existência de suposto esquema de venda de licenças ambientais no Semasa. A ‘taxa’ serviria para fazer caixa de campanha.

 

Por: Beto Silva - Diário do Grande ABC

fonte: http://www.dgabc.com.br/News/5956074/com-panfletagem-psol-quer-rigor-no-caso-semasa.aspx

Boletim _PSOL

PSOL define Marcelo Reina como pré-candidato em S.André

PSOL define Marcelo Reina como pré-candidato em S.André

Depois de longas discussões, o PSol de Santo André definiu, no último domingo (15), que o presidente do diretório municipal, Marcelo Reina, será o representante do partido na disputa à prefeitura em outubro. A escolha, feita por meio de consenso entre os correligionários, atende a resolução da executiva nacional de lançar candidatura própria em todos municípios.

Será a segunda vez consecutiva que a sigla terá postulante ao Paço. Em 2008, Ricardo Alvarez defendeu a legenda na corrida pelo Executivo e recebeu 7,5 mil votos.

Antes da escolha de Reina, os militantes exerceram pressão sobre a candidatura do ex-vereador e de Bruno Daniel Filho – que se filiou à sigla em setembro do ano passado – para que aceitassem a missão de encabeçar a chapa. “Os filiados se dividiram (sobre o nome para disputar a prefeitura), mas o próprios candidatos justificaram o desejo de não concorrer e, assim, chegou-se ao meu nome”, revelou Reina.

O primeiro a desistir foi o irmão do prefeito Celso Daniel (assassinado em 2002), que ficou com a missão de ser o coordenador de programa do partido. Bruno alegou que poderia ser alvo de críticas, devido ao tempo que ficou fora da cidade – estava radicado no exterior há mais de seis anos para se proteger de ameaças que sua família teria recebido. Alvarez, por sua vez, retirou sua candidatura ao argumentar que a legenda precisa de “sangue novo”. “Fiquei satisfeito, porque o partido precisa de bastante energia e o Reina é um nome que representa a renovação.”

Na ocasião, os militantes decidiram que Alvarez (que foi vereador andreense durante dois mandatos, pelo PT) será o coordenador geral da campanha do PSol, tanto ao Executivo quanto o Legislativo. “Temos realizado várias reuniões com lideranças progressistas. Sem prepotência, tenho certeza de que nosso programa será o melhor para Santo André.”

Primeiro aliado – A legenda agora parte para a estratégia de massificação da candidatura. Até o fim do mês, o partido deve realizar reunião para determinar as próximas ações. “Definimos alguns pré-candidatos à vereança e vamos convocar todos os filiados”, disse Reina.

O PSol também formalizou o PSTU como primeiro partido na aliança majoritária. Nos próximos dias, o PCB também deve se somar à frente. O partido ainda não definiu a composição majoritária. O posto de vice pode ser ocupado por um dos aliados ou até mesmo por integrante do PSol. “Não colocamos em votação (na reunião), justamente a fim de abrir espaço aos aliados para apresentarem sugestões. A chapa pura também não está descartada.”

 

Por: Fábio Sales – Diário Regional

fonte: http://www.diarioregional.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9409:psol-define-marcelo-reina-como-pre-candidato-em-sandre&catid=86:santo-andre&Itemid=444

Pela apuração imediata e profunda das denúncias em Santo André

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta na câmara Municipal de Santo André ouviu o advogado Calixto Jr. que confirmou a cobrança de propina para a venda de licenças ambientais no Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental). Disse ainda que o Superintendente do órgão e o prefeito municipal estão envolvidos. É preciso apurar imediatamente.

Há muito que se esclarecer.

Tudo começou com um diretor do SEMASA, Roberto Tokuzumi (ex-diretor de Gestão Ambiental) que denunciou publicamente um esquema de corrupção na autarquia. Licenças ambientais eram vendidas e o operador do esquema era o advogado Calixto Jr. Este, que não era funcionário da empresa municipal, mantinha uma mesa e dava expediente como se fosse.

Ao ser inquirido na CPI abriu a boca. Confirmou que o esquema existe, tem a participação direta do Superintendente, Ângelo Pavin, e o prefeito municipal Aidan Ravin como seu beneficiário. Alegou ainda que entrou na gestão por convite direto do prefeito.

Fac símile da edição do jornal Diário do Grande ABC de 10/04/2012.

 

Há também a participação de outros integrantes do primeiro escalão da prefeitura: “o grupo também tinha Nilson Bonome e Jarbas Elias Zuri (que já deixaram a Prefeitura), além dos secretários Alberto Casalinho (Obras) e Frederico Muraro Filho (Habitação).” (DGABC, 10/04/2012)

Estas denúncias são graves e precisam de apuração rigorosa e imediata.

Propostas do Psol Santo André: 

- Afastamento imediato  do superintendente do SEMASA (evitar pressão sobre funcionários e outros); 

- Convocação do prefeito e do superintendente do SEMASA para deporem na CPI; 

- Mobilização da população cobrando rigor e justiça nas investigações; 

- Assinar o abaixo assinado online: Afastamento do superintendente do SEMASA

- Transparência na gestão pública, em especial no SEMASA; 

- Auditoria das contas do SEMASA; 

Entrevista Ricardo Alvarez

No dia 12 de janeiro de 2012 Ricardo Alvarez, liderança do PSOL em San to andré, concedeu entrevista à Rádio ABC AM 1570 junto com Bruno Daniel tratando dos 10 anos do assassinato de Celso Daniel, da política no Grande ABC e das eleições 2012.

Link da entrevista

Insatisfação nos quartéis é fruto da crise!

O ano de 2012 começou com a fortíssima greve unificada dos policiais militares e bombeiros do estado do Ceará, e se aprofunda com a deflagração da greve da PM no estado da Bahia. Além das mobilizações no Pará e Espírito Santo, possivelmente na próxima semana, os policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro também devem parar.

Ocorreu o despertar dos policiais para a luta por melhores salários e condições de trabalho. A luta dos bombeiros no RJ deu exemplo de resistência. A necessidade e a justeza desta luta se espelham na defesa do PSOL pela aprovação da PEC 300. Há um conluio do governo federal e dos governos estaduais para impedir a aprovação de um piso nacional para policiais militares, e ao mesmo tempo, o governo Dilma anuncia corte de R$ 60 bilhões no orçamento 2012. Tudo isso para satisfazer os interesses dos credores da dívida pública.

É necessário afirmar que a crise nesta área afeta diretamente os mais pobres e, sua resolução, é dever dos governos estaduais e federal. Uma das principais medidas neste sentido é a aprovação da PEC 300, garantindo salários dignos aos trabalhadores, acompanhada de uma profunda reflexão sobre o atual modelo da segurança pública brasileira que hoje, infelizmente, criminaliza e persegue as maiorias excluídas como a população LGBTT, a juventude negra e o conjunto dos movimentos sociais em luta.

Denunciamos a postura autoritária dos governos estaduais, que se juntam para reprimir os movimentos de greve. Neste caso tal atitude unifica PSDB, PT e PMDB.

O PSOL é contra que os trabalhadores paguem pela crise. Continuamos batalhando pela auditoria da dívida pública e pelo fim do superávit primário.

O PSOL exige abertura imediata de negociações com grevistas da Bahia, do RJ e dos demais estados, a mais breve aprovação da PEC 300 e o fim da criminalização dos movimentos sociais!

 

Brasília, 03 de Fevereiro de 2012.

Direção Nacional do PSOL

VEREADORES DE SANTO ANDRÉ TRABALHAM DEMAIS

Na edição do “Diário do Grande ABC” de hoje há uma notícia, no minímo, estarrecedora: a de que os vereadores de Santo André pretendem reduzir o número de sessões de duas para uma por semana. As alegações utilizadas pelos vereadores são tão absurdas que merecem destaque e análise.

A primeira delas é do vereador da situação Gilberto Primavera (PTB) que defende a medida por acreditar que a mesma pode promover a redução de gastos com energia e pessoal. Tal argumento soa como falácia, pois o que aumenta os gastos com pessoal não são as horas trabalhadas em dias de sessão e sim a quantidade de assessores que cada parlamentar possui. O vereador Gilberto possui, de acordo com lista no site da Câmara, doze assessores.

Na matéria há ainda a reprodução literal de uma fala do mesmo vereador: “Entendo que uma plenária seria suficiente. Isso não significa menos trabalho, pois o parlamentar não atua só em dia de sessão”. Isso seria quase verdade se não fosse o fato de que é raro encontrar os vereadores fora do dia da sessão. Será que eles ficam trabalhando em casa durante a semana?

Um outro vereador, Toninho de Jesus (DEM), defende a ideia por acreditar que ela tornaria as sessões mais frutíferas: “As falas estão vazias, os assuntos sem relevância e, em uma sessão, seria o suficiente para aprovar requerimentos e projetos.” Quem são os responsáveis pelas falas, pelos assuntos? Os vereadores. Logo, se as falas estão vazias e os assuntos sem relevância; a responsabilidade é dos próprios vereadores e não das duas sessões semanais.

O mesmo vereador coloca que a aprovação da medida seria louvável (utilizando a expressão da matéria) pois daria tempo para “melhor atendimento ao municipe e fiscalização do Executivo”; como se uma coisa e outra acontecessem de forma permanente na política de Santo André.

A oposição ao projeto também é mencionada na matéria através das falas de dois vereadores de partidos diferentes: Jairinho (PT) e Pinheirinho (DEM). O primeiro diz que o projeto “Não é de interesse público. Não tem chance de ser implantado esse projeto em ano eleitoral”. Um detalhe implicito está na ultima frase da fala, que deixa aberta a possibilidade de tal projeto vir a ser implementado em outro momento. A matéria diz que isso de fato pode vir a ocorrer em 2013. Não será surpresa de o PT se mostrar favorável ao projeto.

Outro discurso contrário, o do vereador Pinheirinho (DEM) soa como demagogia das grandes: “Enquanto um trabalhador fica quase todos os dias cumprindo expediente de oito horas, aqui acham que dois dias é muita atribuição. Isso é pouco, não mata ninguém”. Há um outro detalhe interessante: o mesmo DEM de Pinheirinho que, como dito, se opõe ao projeto é o mesmo de Toninho de Jesus. Esse fato pode revelar que, para certos políticos, o partido representa somente um guarda-chuva de candidaturas, sendo assim; cada um pode evocar qualquer interesse ou ideal.

Diante de tudo isso, certamente o eleitor que se pergunta porque tais coisas acontecem, porque essas figuras eleitas para representarem a população parecem se negar a fazê-lo. A resposta é bem simples: a falta de participação e fiscalização popular na política abre espaço para que os poderosos, aqueles que pouco ou nada se interessam pela população, sintam-se completamente livres para fazerem o que bem entendem com o dinheiro e voto dos cidadãos. Por isso, votar não é o bastante. É preciso lutar nas ruas, participar.

 Link da noticia

CENSURA EM SANTO ANDRÉ

Os jornalistas Ricardo Maluf e Andrea Zuppini informam:

HOJE FOMOS PROIBIDOS DE DEIXAR NOSSOS JORNAIS PARA OS LEITORES QUE RETIRAM OS EXEMPLARES NA PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ…. A funcionária alegou que tinha superiores e que o Jornal Estação Notícia era petista.

Segue abaixo a edição que motivou a censura

Estação Notícia

 

 

PSol deve lançar 4 candidatos a prefeito no ABC

Repetindo o cenário regional de 2008, o PSol pretende encabeçar chapas prefeituráveis em quatro municípios da região: Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá. Das três cidades, o partido deve optar pela bagagem eleitoral de seus quadros e repetir os mesmos nomes do pleito passado.

O lançamento de candidaturas próprias nas principais capitais e cidades do país atende à proposta da nova executiva nacional, eleita no início de dezembro, que tem como presidente, o deputado federal Ivan Valente, que deve disputar a indicação pela Prefeitura da Capital.

Antes reticente quanto a disputar novamente o pleito, o ex-vereador Ricardo Alvarez, que conquistou 7,4 mil votos em 2008, pode ser ratificado para a disputa do Paço de Santo André nos próximos dias. A direção local já sinalizou que o partido terá candidato próprio. “Não há um único militante que não defenda candidatura própria. Porém, conversaremos para se chegar a consenso e ver se é da vontade do Alvarez ser o candidato”, disse o presidente do diretório municipal, Marcelo Reina.

O dirigente acredita que Alvarez é o mais preparado para o debate da luta contra o uso das máquinas públicas e liderar o partido no processo de renovação da sigla. “Tem o diferencial na discussão sobre temas como o capitalismo causa impactos na região”, ressaltou Reina. “Sabemos que temos recursos modestos perto das máquinas federal e estadual, mas se tiver de ir para o enfrentamento em um projeto de crescimento do partido, vou para o sacrifício”, frisou Alvarez.

Questão de tempo – Na última quinta-feira (29), o diretório de São Bernardo fez avaliação da participação do partido nas próximas eleições. O ex-vereador Aldo Santos, que concorreu ao Paço em 2008 (teve 3,8 mil votos), admitiu que o anúncio da chapa própria é questão de tempo.

“Discutimos prioritaria­men­te nosso arco de alianças com o PSTU e PCB, para a disputa do legislativo. Porém, de qualquer forma, o PSol vai buscar, com o apoio dos movimentos organizados na sociedade, o lançamento de candidatura própria”, sintetizou.

Apesar de não confirmar oficialmente, o ex-vereador de São Caetano Horácio Neto deve ser pré-candidato ao Palácio da Cerâmica. Neto concorreu nas eleições de 2008 e conquistou 7 mil votos, fato que, em sua opinião, o credencia a nova disputa.“A ideia é fazer o raio-x mais rápido possível, para desenvolver campanha capaz de ser vitoriosa. Essa eleição será mais aberta do que a anterior”, disse.

Em Mauá, a pré-candidatura de José Silva foi oficializada no último dia 10 de dezembro. No pleito anterior, o partido foi representado por Mateus Prado, hoje no PSDB, que saiu das urnas com 5,5 mil votos.

 

Diário Regional

 

 

Irmão de Celso Daniel abandonado pelo PT

Irmão de Celso Daniel diz ter sido abandonado pelo PT

Bruno Daniel se refugiou na França por seis anos após assassinato do então prefeito de Santo André
Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo
Bruno José Daniel Filho está de volta ao Brasil após um duro exílio de seis anos na França, que em 2005 outorgou a ele o título de refugiado, porque reconheceu que sua vida aqui corria riscos. O retorno foi discreto, no início de novembro. Bruno, a mulher e os três filhos buscam se readaptar à rotina de seu País.Irmão mais novo de Celso Daniel – prefeito do PT eliminado à bala em 20 de janeiro de 2002 -, Bruno, de 59 anos, professor de economia, está retomando as atividades profissionais.Dez anos depois, o medo ainda espreita a família. A ferida não fecha, mas a vida é preciso reconstruir. “O recomeço é complicado”, ele diz, à mesa de um café em Pinheiros. “O Brasil mudou, preciso voltar a conhecer o País.”

Relata as dificuldades que enfrentou longe da sua gente e clama por Justiça – porque até aqui apenas um acusado pela morte de Celso está condenado e o suposto mandante jamais foi para o banco dos réus.

As intimidações que o levaram à longa jornada da expatriação parecem ter cessado.

Bruno Daniel é graduado em Engenharia Civil, mestrado em Administração de Empresas, doutorado em Ciências Sociais e pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Técnico da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e professor do Centro Universitário Fundação Santo André. Filiou-se ao PSOL em 7 de outubro, ainda no exterior, e o partido agora o corteja para concorrer à cadeira que um dia foi de seu irmão.

Ele afirma que em seu horizonte não há espaço para a aventura da eleição.

Despede-se já na calçada. Vai a um cartório de notas na Rua Augusta.

O que o fez retornar?
Não consegui integração profissional estável na França, com tudo o que decorre disso. Trabalhos tinham caráter precário, período muito ruim. E também em função de sentir muita falta de meus parentes, amigos e das instituições onde eu trabalhava, todos muito solidários.

Recapitule os momentos críticos que o fizeram sair.
As maiores dificuldades que sentimos antes de nossa partida deveram-se a ter que lidar com ameaças, especialmente quando começaram a se dirigir a nossos filhos e após a morte do médico legista Carlos Del Monte Printes, em 2005. Resolvemos não arriscar mais e continuar nossa luta pela elucidação do caso do exterior. Na história recente de nosso País, várias pessoas conhecidas que receberam ameaças foram executadas.

Como foram esses anos longe da sua gente?
Foram muito mais difíceis do que poderia imaginar. Obtivemos refúgio estatuário do Estado francês. Pudemos, em função dele, viver praticamente como os cidadãos desse país que tem tantas coisas boas e ao qual tanto devemos. Mas está muito longe do que costumamos idealizar. Além disso, está em crise desde meados da década de 70, agravada a partir de 2008. Isso dificultou nossa integração ao país e tornou nossa vida muito penosa. Recebemos solidariedade também de amigos que lá fizemos, mas ficar longe de nossa gente, de nossa cidade, do Brasil, é terrível. Os laços antigos são fortes demais. Os novos laços construídos são ótimos, mas têm características diferentes. Não se substituem.

Qual é a sua rotina?
Não há um ato específico a destacar após meu retorno. Há um conjunto de providências adotadas para reconstruir nossas vidas após tanto tempo, como, por exemplo, a retomada de contatos com parentes, com nossos antigos amigos e instituições e a retomada de trabalho. Não há como não ficar emocionado e grato com a acolhida que tenho tido. Não tenho rotina definida e procuro evitá-la.

Ainda recebe ameaças?
Se voltarmos a recebê-las, vamos refletir sobre o que fazer.

A Justiça condenou apenas um acusado. O mandante apontado pela promotoria, Sérgio Sombra, não foi julgado.
A condenação desse acusado é altamente auspiciosa, pois o júri popular tomou essa decisão acatando as teses do Ministério Público, não as do Departamento de Homicídio. Há ainda nossa expectativa de que os demais indiciados sejam encaminhados a júri popular e novamente prevaleçam as teses do Ministério Público. Se isto ocorrer, novos fatos podem vir à tona, quem sabe dando origem inclusive a novos indiciamentos e condenações, até aqui inesperados para muitos. Mas tudo isto tem sido lento demais.

A que atribui essa situação?
Nossas instituições precisam ser reformadas, leis precisam ser aperfeiçoadas. O direito de defesa é sagrado, mas parece que certas leis e ritos permitem àqueles que podem pagar “a peso de ouro” certos escritórios de advocacia, postergar julgamentos indefinidamente. Justiça que tarda não é Justiça. Por que tantos outros casos já chegaram a seu final e este tem demorado tanto?

Como vê agora o País?
Embora tenha acompanhado de longe o que tem ocorrido no Brasil, tenho que voltar a reconhecê-lo. Tenho me encontrado com pessoas bastante contentes com a evolução do País, mas outras muito descontentes, algumas delas até sem ação, especialmente em caráter coletivo, apresentando um grande sentimento de mal-estar, apesar de poderem usufruir de bons níveis de consumo. Sinto que tais sentimentos opostos podem ser compreendidos por grandes ordens de questões.

Quais?
Do ponto de vista institucional, algumas coisas pioraram, fazendo com que parte das pessoas perca a esperança de um futuro melhor. Os desequilíbrios entre os Poderes da República são imensos. Talvez tenham se aprofundado e parece-me que o crime organizado tem avançado; nossa mídia é, em geral, de qualidade bastante discutível e tem atingido níveis ainda inferiores. Parte dela é concessão do governo. Os Poderes Legislativo e Judiciário estão em crise e piores. Poderes Executivos atropelam decisões de instâncias participativas, ferindo a Constituição. Desviam recursos públicos, contratando ONGs e empresas irregularmente. Separa-se pouco o público do privado. Altos funcionários públicos enriquecem supostamente prestando consultorias ao setor privado. O Estado funciona mal, apesar de termos eleições regulares e imprensa formalmente livre.

O que o frustra mais?
O assassinato de meu irmão e a evolução das investigações são emblemáticos. Dez anos depois, muitos morreram, o trabalho da polícia foi muito ruim e apenas um dos indiciados foi a júri popular. A investigação e os indiciamentos do Ministério Público sobre a obtenção ilícita de recursos para financiar campanhas e enriquecer a alguns ilicitamente não deram lugar a qualquer condenação. De lá para cá, nenhuma mudança no sistema de financiamento de campanhas surgiu e os escândalos não param de ocorrer.

Questionam no STF o poder de investigação do Ministério Público.
Vivemos um risco iminente de retrocesso institucional ligado a uma decisão ainda pendente no STF relativa ao questionamento dos poderes de investigação do Ministério Público. Conclamo a todos a ficarem vigilantes em torno desse tema. Não é somente o caso do Celso que está em jogo. É possível verificar melhoras pontuais e às vezes significativas para grande parcela de brasileiros em outros campos, mas me parece que continuamos com gravíssimos problemas.

Não há avanços?
As desigualdades continuam abismais. Apesar da lenta melhora do índice de Gini, não é possível esconder a dramática situação da distribuição funcional da renda e das demais desigualdades. A despeito de certos avanços, entre os quais se destacam o aumento do salário mínimo, acesso a crédito, a programas de transferência de renda e, consequentemente, melhoria nos padrões de consumo de muitos, nossos sistemas de educação, saúde, habitação e transportes continuam muito precários. O País se desindustrializa, investe pouco e inova muito menos do que o necessário. Nossos problemas ambientais se agravam, crescemos muito menos do que outros países emergentes.

São conflitantes as versões sobre o assassinato de Celso.
Concordo com as provas do Ministério Público que indicam crime planejado, que houve mandantes e que havia na cidade um esquema de arrecadação ilícita de recursos para financiar campanhas eleitorais, fato aliás relatado a mim e a meu irmão João Francisco por Gilberto Carvalho (hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência), como declarei na CPI dos Bingos, em 2005. Creio também que Celso não admitia que tais recursos fossem utilizados para enriquecimento pessoal.

João Francisco denunciou à promotoria que ouviu de Gilberto Carvalho a revelação de que dinheiro da corrupção era levado ao então presidente do PT, José Dirceu.
Trata-se de algo que, sem dúvida, deveria ser investigado.

O PT os abandonou?
Tivemos que resolver o problema de duas mortes. A morte do Celso e a morte simbólica da maioria dos nossos antigos companheiros do PT. Apesar de todas as evidências, o PT sustentou a tese do crime comum. As promessas e os compromissos de agir nunca foram concretizados. Cito três honrosas exceções de lideranças petistas: Ricardo Alvarez (ex-vereador em Santo André, hoje no PSOL), Hélio Bicudo (sem partido) e Eduardo Suplicy (senador).