Um poema sobre a realidade
São Paulo, 10 de agosto de 2009.
Por entre uma janela de vidros quebrados vejo um mundo redondo tombar,
Picham muros com dizeres e dizem coisas que são como um muro.
Estrada no avesso que caminhasse à mão oposta,
Propósitos murados pelos séculos,
Oponho-me neste quadrado.
Há Mussolines ditadores,
Gritam mentiras mascaradas, às marteladas que são apenas marmeladas.
Homens de caverna engravatados,
Armados diplomados, sua crava, sua caneta, marreta!
Povo peteca, alça sem caneca.
Saúde que traz dor,
Transporte, o antigo e velho carro de boi.
Dizem Ave! aos Cézares e Ave-Maria às dores de fome que passam.
Panos de chão torcidos e colocados ao sol em varais de farpas, e com suas imponentes
mãos de aço prevalecem os homens de ferro velho, ocos, sepulcros caídos.
E tiram de nós o povo,
Julgam-nos pobres coitados, coiotes, hienas, aves de rapina, seres no avesso.
Olhos que só conhecem o próprio umbigo,
Propaganda enganosa, pois são de uma política fraudulenta e mentirosa.
Graças a Deus!
Obrigado.
Gerson de Deus é ex-morador de rua, residindo na Oficina Boracéa (maior albergue da América Latina, que no inverno chega a abrigar 700 pessoas), possui a 6ª série do primeiro grau e atualmente está tirando os documentos.
Gerson de Deus com as estagiárias de Psicologia
Mariana e Digiane
*É autorizada a publicação do poema desde que sejam inseridos os créditos ao autor.
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