No quarto bloco do debate o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) perguntou ao candidato Paulo Bufalo (PSOL) sobre o destino final dos resíduos sólidos.
Bufalo apontou que os demais candidatos convergem para um mesmo projeto. Depois respondeu “o Estado de São Paulo não tem planejamento ambiental, exatamente onde se encontra a política de capitação de resíduos sólidos, e tem abdicado de discutir isso com outros municípios”, disse. “A prioridade é canalizada para o pagamento da ‘bolsa banqueiro’ e não para políticas de indução para o nosso interior e região metropolitana”, argumentou.
Antes de encerrar sua tréplica, Bufalo ainda fez uma diferenciação entre o candidato do PSOL e os demais candidatos. “Os demais candidatos olham para o canavial e ‘preocupados com o meio ambiente’ querem saber o que fazer com o bagaço da cana; nós do PSOL, olhamos para o mesmo canavial e enxergamos e pensamos o que fazer com o bagaço humano. Essa é a diferença!”, concluiu.
Ainda no quarto bloco, Paulo Bufalo perguntou sobre “coerência” para Mercadante (PT), questionando a postura do senador quando recuou na batalha para remover o então presidente do Senado, José Sarney (PMDB), durante o escândalo dos atos secretos.
Na sua resposta, Mercadante afirmou que recuou e não renunciou à liderança do PT no Senado quando do escândalo porque o presidente Lula pediu a ele para que ficasse.
Na sua réplica, Bufalo disse que o PSOL não abandou as bandeiras da ética e da coerência em nome da manutenção do poder a qualquer custo. Mercadante, por sua vez, apelou dizendo que o PSOL sonha com o governo de esquerda do futuro, enquanto eles fazem o governo do presente.
No terceiro bloco do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, o candidato Paulo Skaf (PSB) perguntou ao candidato do PSOL, Paulo Bufalo, sobre suas propostas para o setor de transporte e estradas.
“Transportes e estradas são estratégicos para o PSOL”, respondeu Bufalo, “portanto, para nós o Estado precisa reassumir gradativamente a gestão das nossas estradas, apenas dessa maneira vamos reverter as tarifas altas e garantir um transporte de qualidade”.
Segundo Bufalo, é preciso também priorizar o transporte ferroviário. Lembrando o caso da falha do metrô de São Paulo na semana passada, argumentou: “hoje eu vinha pra cá de metrô, lembrei do que aconteceu na semana passada, quase uma tragédia com pessoal que vinha da Zona Leste”. Defendeu o investimento em tecnologia de ponta, com o uso de software livre para a gestão dos trens já em operação e para garantir inclusive novos trens na linha.
Skaf falou também do trecho Sul do Rodoanel, que fora inaugurado recentemente, sendo um projeto que estava no papel há 18 anos. Para ele, faltou gestão compartilhada para tirar o projeto do papel. No entanto, em sua conclusão, Paulo Bufalo do PSOL aproveitou para comentar a incoerência do concorrente, uma vez que o PSB está na base do governo paulista e também do governo federal.
“Você que está em casa deve estranhar assim como eu. Dois governos apoiados pelo partido do Paulo Skaf; cada um repassou R$ 4 bilhões para montadoras de automóveis e as mesmas montadoras remeteram R$ 12 bilhões para fora. É um absurdo”, concluiu o legítimo socialista, mostrando que priorizar o transporte público é só discurso.
Ainda no terceiro bloco, o candidato do PSOL afirmou que o Estado de São Paulo está sendo transformado em um “deserto verde” e perguntou a Celso Russomando (PP) quais serão suas medidas para combater as monoculturas que estão comprometendo a qualidade do ar (com as queimadas da lavoura de cana-de-açúcar) e a segurança alimentar.
Russomano disse que incentivará a “agricultura” para que possa haver incentivo à policultura, além da valorização do pequeno agricultor que deve ter condições materiais para garantir sua produção.
Bufalo menciona novamente a incoerência de seus opositores. O PP de Russomano é base de apoio do governo estadual do PSDB, que justamente incentiva a monocultura e não faz a reforma agrária no Estado. Contrariado, Russomano foge da questão e diz que o seu plano de governo incentivará o pequeno proprietário, ignorando a prática do seu partido.
No segundo bloco do debate da TV Globo o candidato Paulo Bufalo do PSOL foi perguntado pelo candidato Celso Russomano (PP) sobre qual seria sua proposta para a saúde caso seja eleito. Segundo o candidato do PP “as pessoas estão esperando 60 ou 80 dias para conseguir uma consulta, 11 meses para um exames e 1 ano e sete meses para conseguir uma cirurgia”.
Antes de iniciar sua resposta Paulo Bufalo aproveitou para esclarecer o “acordo de cavaleiros” presente no debate. “Parece que tem um bate-bola entre aliados que vai se tornando cada vez mais evidentes”, alfinetou.
“A saúde vem sendo tornada mercadoria. Na grande São Paulo, como já falamos, o Centro de Especialidades, como lá em Belém recebeu um anúncio de uma hora pra outra de que seria fechado, sendo 4 mil prontuários transferidos para as OS [organizações sociais] ou Fundações de Serviço Privado”, afirmou Bufalo. “Ou se reverte a política de privatização ou não se tem saída para a saúde pública do Estado de São Paulo”, conclui.
“A bandeira dos SUS 100% pública que é defendida pelo PSOL é a bandeira dos movimentos sociais”, argumentou. “Tanto o governo do PSDB adota esse critério, como agora também há uma proposta esdrúxula que quer criar o Prouni da saúde, repassando recursos públicos para iniciativa privada”, conclui criticando também proposta que vem sendo difundida pelo candidato Aloizio Mercadante (PT).
Ainda no segundo bloco, Paulo Bufalo não fugiu do debate e escolheu o tema “meio-ambiente” para perguntar ao candidato do PV Fábio Feldmann sobre “meio-ambiente”: qual o posicionamento do candidato sobre o aprimoramento da legislação de proteção ambiental?
Na resposta, Feldmann disse ser favorável a uma política inovadora para a preservação da natureza, incluindo a “licitação-sustentável” e a punição às empresas que são responsáveis pela agressão ao meio ambiente.
Na sua réplica, Bufalo pegou Feldmann de surpresa, mostrando a incoerência do Partido Verde, cujos parlamentares votaram a favor da medida provisória 458 (conhecida com MP da Grilagem) que favorece a exploração e o desmatamento de terras públicas na Amazônia. Destacou ainda o posicionamento contrário a essa medida do deputado Ivan Valente, do PSOL, e cobrou coerência do seu partido cuja bandeira de campanha é a preservação da natureza.
O candidato Fábio Feldmann (PV) pergunta ao Paulo Bufalo sobre a saúde complementar, dando o exemplo das políticas da Nestlé que caminham, segundo o candidato verde, nesse sentido. Na sua resposta, o candidato do PSOL questionou o mérito a política da multinacional, dizendo que é projeto da Nestlé desestimular o aleitamento materno, que traz inúmeros malefícios para o recém-nascido e para a mãe.
Sobre a saúde preventiva, Paulo Bufalo reafirmou a necessidade de se ter um SUS 100% público, pois só pelo sistema público é que a saúde pode ser tratada como um direito e não como uma mercadoria. Ele lembrou ainda que é de interesse do atual governo tucano sucatear o sistema público para estimular o mercado de saúde privado.
Por fim, só com políticas de prevenção reais, com o sistema público de saúde fortalecido é possível se evitar as constantes epidemias de dengue, leishmaniose e outras doenças que ainda matam no estado mais rico do Brasil.

O primeiro bloco do debate realizado pela TV Globo nesta terça-feira, dia 28, foi aberto pelo candidato do PSOL Paulo Bufalo. Ele perguntou ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB) sobre como o candidato tucano enfrentará a questão das paralisações e greves em seu governo.“Hoje o funcionalismo publico é obrigado a paralisar e fazer greve para defender direito a salário digno no Estado de são Paulo”, destacou Bufalo.
Na resposta, Alckmin não quis entrar em detalhes sobre gestões anteriores. Afirmou que em seu período de governo “quase não tivemos greve” em São Paulo, “especialmente no magistério”, disse. Segundo o tucano, o Estado tem valorizado os salários e a carreira do funcionalismo público “Temos projeto habitacional no centro de São Paulo, com financiamento para os funcionários civis; capacitação permanente e continuada”, disse.
O então governador Geraldo Alckmin vetou o aumento de verbas para a educação como um todo aprovado pela Assembleia Legislativa de SP. Como conseqüência, houve uma das maiores greves na USP, Unesp e Unicamp para que o veto fosse derrubado, o que não foi possível. Como pretende valorizar os salários dos professores sem aumento de verbas para a Educação?
Na réplica o candidato do PSOL aproveitou para desmentir o tucano. “Sou professor e servidor público. E confesse que gostaria muito de ter esses benefícios. Essa não é a realidade dos últimos 16 anos”, afirmou Bufalo. Aqui quando os funcionários públicos “vão negociar, são recebidos com o cassetete na mão. Essa não é a realidade que nós vemos. É preciso avaliar o conjunto da obra do partido que governa o Estado” , concluiu em referência aos 16 anos de governo do PSDB.

Começou a última semana da campanha e Plínio Arruda novamente arrebentou no debate no domingo, desta vez na Record, fazendo a diferença e deixando claro que há, sim, uma opção de esquerda nestas eleições. Agora é a vez de Paulo Bufalo mostrar que São Paulo também tem uma opção. Nesta terça-feira, dia 28 de setembro, acontece o debate da Rede Globo com os candidatos ao governo de São Paulo, o candidato do PSOL estará lá para tocar nos assuntos que os outros candidatos fogem como as privatizações na área da saúde, as muitas denúncias de corrupção que foram varridas para debaixo do tapete na gestão tucana a dívida pública que drena os recursos para as áreas sociais.
“Governar é fazer escolhas. Quem diz que vai melhorar os serviços públicos mas diz que vai manter o pagamento da dívida está faltado com a verdade para com o eleitor”, avalia o candidato do PSOL ao governo paulista.
No debate, Paulo Bufalo vai mostrar como fazer a diferença também em SP e se contrapor aos 16 anos de PSDB e a falsa alternativa de mudança do PT que no governo federal repete as mesmas propostas do PSDB na área econômica que acabam por asfixiar à saúde, educação e o combate a desigualdade.
Paulo Bufalo e os candidatos do PSOL representam uma alternativa de esquerda, de retomada do papel do Estado, de defesa dos serviços públicos, gratuitos e de qualidade.
O debate entre candidatos ao governo de São Paulo será começa por volta das 21h e será transmitido pela TV Globo e pela rádio CBN.
As campanhas do PSOL da cidade de São Paulo vão tomar a Paulista intensificando a campanha na reta final.
Paulo Bufalo concede entrevista para emissora em São Paulo.
Paulo Bufalo concedeu entrevista para o Diário da Região de São José do Rio Preto. Leia a entrevista na íntegra:
Entrevista São José do Rio Preto, 25 de Setembro, 2010
Discurso do Psol ‘assusta’, reconhece Bufalo
por Allan de Abreu e Alexandre Gama
Desapropriação de terras, reestatização de empresas privatizadas, quebra de contrato dos pedágios, elogios ao MST. Um discurso que assusta o eleitorado, admite Paulo Bufalo, candidato a governador pelo Psol. Mas que precisa ser dito para, segundo ele, quebrar a tese de continuidade fomentado tanto pelo PT quanto pelo PSDB na atual campanha e que passam a ideia de que está “tudo bem.”
“A eleição está muito despolitizada. O esforço nosso tem sido justamente colocar alguns temas que irão mexer com o cotidiano das pessoas. Porque aí as pessoas irão perceber a necessidade de uma nova política”, disse o candidato, que se diz diferente dos petistas, justamente seu ex-partido quando foi vereador em Campinas. O PT e o PSDB, nas últimas eleições municipais, estiveram juntos em mil cidades. É uma identidade muito grande.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Diário – Conforme as últimas pesquisa, Geraldo Alckmin caminha para vencer a eleição ainda no primeiro turno. O senhor acredita em uma virada? Quais são suas chances diante desse favoritismo tucano?
Paulo Bufalo – A eleição está muito despolitizada, com todas essas candidaturas em torno de um projeto oficial que jogam todo o peso para não ter marola, para não ter nada que atrapalhe um certo sentimento de que tudo está indo bem. Uma mudança poderia “atrapalhar” esse processo. Todo mundo se beneficia com isso, tanto a candidatura da Dilma quanto a dos tucanos em São Paulo. O esforço nosso tem sido justamente colocar alguns temas que irão mexer com o cotidiano das pessoas. Porque aí as pessoas irão perceber a necessidade de uma nova política.
Diário – Quais, por exemplo?
Bufalo – O combate à homofobia, a questão do direito das mulheres, o debate da qualidade da educação, o financiamento da educação e da saúde, a dívida pública. Essa última é a questão central. Sem mudar o acordo de financiamento da dívida, tanto paulista como brasileira, não há que se falar em mudança nas políticas sociais.
Diário – Na sua opinião, quais são as principais fragilidades nos 15 anos de governo do PSDB?
Bufalo – Em 1997, ainda no governo Covas – o vice era o Alckmin – o Estado tinha mais ou menos R$ 50 bilhões de dívida.Por um acordo com o governo federal, transferiu a dívida para a União e montou um programa de privatizações. A nova dívida seria corrigida pelo IGP-DI mais 6%. Não há nada corrigido por esse índice, nem as taxas bancárias. Hoje privatizam tudo, e houve aumento na tarifa de energia de 130% acima da inflação, rodovias entregues (à iniciativa privada), e os pedágios oneram diretamente a produção e o consumo. Na saúde, essa política fez com que o Estado de certa forma abandonasse a prevenção e o cuidado para comprar o tratamento. Esse modelo de privatizações arrecadou R$ 79 bilhões. Mas a dívida passou para R$ 170 bilhões. Não há Estado que suporte isso. Nós temos de colocar isso na pauta. Até porque São Paulo tem um papel estratégico pelo fato de ser a principal economia do País. Em vez de contestar esse modelo de gestão, traz as responsabilidades fiscais para os municípios. Então o tal do pacto federativo foi varrido para debaixo do tapete. Primeiro a merenda, que os municípios assumiram nas escolas estaduais, depois a municipalização do ensino fundamental e agora a proposta de os municípios contratarem policiais em horário de folga. Isso é uma aberração. Se os municípios entrarem nessa, aí acabou de vez. Isso não é um privilégio do governo do Estado, a União também opta por essa política. Ao dar benefício às montadoras por meio da redução do IPI, quem sofre são os municípios, que ficariam com uma parcela desse imposto que se perdeu. Para compensar isso, o governo Lula refinanciou a dívida dos municípios com o INSS. Ou seja, o cofre do INSS pagou a conta. É uma política que a médio e longo prazo vai gerar quebradeira. Então tem de mudar o conjunto do financiamento dessa dívida, seja dos Estados, seja do governo federal.
Diário – Recentemente, o candidato à presidência Plínio de Arruda disse na TV que vai estatizar bancos e propriedades privadas acima de mil hectares. Você não acha que o discurso do Psol afasta um pouco o eleitorado?
Bufalo – Assusta, mas avaliamos que são essas coisas que precisam ser feitas. A ideia de fazer reforma agrária em áreas com mais de mil hectares é da CNBB. Por que esse projeto é importante? Porque no Estado de São Paulo houve concentração de terras nos últimos dez anos. Nesse mesmo período, as monoculturas de cana, pinus e eucalipto, principalmente a cana, mais do que duplicaram suas áreas de plantio, subtraindo áreas de plantação de alimentos, com uma tecnologia até contraditória. Se a colheita da cana é feita por maquinário, você elimina postos de trabalho, e para onde vai esse trabalhador? Se é feita pela queima, o trabalhador precisa colher até 15 toneladas por dia, sendo que há 10 anos eram nove. Essas coisas todas precisam vir para a pauta. É preciso fazer a reforma agrária. Vai chocar as pessoas? Vai, mas há coisas que precisam ser ditas. Aquela ação do MST que derrubou 3 mil pés de laranja foi em uma área de Iaras com 120 mil hectares de terras da União compradas pelo Estado no processo de colonização. Eram terras para a reforma agrária, porque foram griladas. Aqueles pés de laranja, quase um milhão, estão em terras griladas. Se o MST não tivesse feito aquilo, isso jamais viria à tona. Porque as pessoas não têm essa informação. No Pontal (do Paranapanema), são mais de 1 milhão de hectares de terras griladas, mas 20% foi captado pelo Itesp. No fim de 2007, o governo do Estado enviou um projeto de lei para regularizar essas grilagens. Na saúde, 30% têm plano de saúde particular, 10% pagam consultas e internações particulares e os 60% restantes correm para o SUS. O Sistema Único de Saúde é fantástico, vai da prevenção ao tratamento. Só que o cuidado e a prevenção estão sendo abandonadas pelo Estado, porque o governo optou por um modelo de compra do tratamento por meio das Oscips (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público). É quase como um mercado, que precisa ser alimentado. Como ele faz isso? Deixando que as pessoas fiquem doentes. Daí o investimento prioritário em pronto-socorros. Precisamos mudar essa situação.
Diário – Voltando um pouco na questão da concentração de terras, o senhor pretende fazer a reforma agrária no Estado?
Bufalo – O Itesp precisa reassumir o seu papel de mapear as áreas declaradas improdutivas e assentar as famílias. Hoje o Itesp está desmontado, com orçamento em queda vertiginosa. Em segundo lugar, os institutos de pesquisa estão cada vez menos atuantes. Terceiro, é preciso investir na reforma agrária para famílias, valorizar o pequeno agricultor, gente que protege o meio ambiente. Porque a agricultura de expansão, voltada à exportação, não protege. Eles plantam cana até na água, o eucalipto suga nascentes importantes. É preciso mudar um pouco o modelo de desenvolvimento, e lembrar que 70% a 80% dos alimentos consumidos no País têm origem na pequena e média propriedade. A reforma agrária é a saída de proteção ao meio ambiente, trabalho no campo e segurança alimentar à população.
Diário – Está nos seus planos desapropriar áreas acima de mil hectares, como prega o Plínio de Arruda?
Bufalo – Está no plano, porque essa concentração ocorreu no Estado em áreas que vão de mil a 1,4 mil hectares. Vamos olhar para essas áreas. Agora, há terras declaradas (improdutivas) em que já é possível fazer assentamento. Em Americana (SP), eu acompanho dois assentamentos, o Elisabete Teixeira e o Milton Santos. Nesse último, há uma área vizinha cedida pelo antigo proprietário para pagar uma dívida com o INSS, mas o INSS não tomou posse da área. Então ele arrendou para uma usina. Essa área é pública, e deveria ser destinada à reforma agrária. Mas o Itesp não quer brigar com o INSS e a usina.
Diário – No início da entrevista, o senhor criticou as privatizações das gestões do PSDB. O senhor pretende reestatizar essas empresas?
Bufalo – Há coisas em que não há saída. Mas, nas estradas, o Estado deve reassumir progressivamente, porque estrada é estratégica. Entregar rodovia e ferrovia para a mesma empresa, é lógico que a ferrovia vai ficar sucateada.
Diário – No caso das rodovias, o Estado deve retomar a concessão?
Bufalo – A concessão no Estado de São Paulo envolve três blocos de custos. Um de investimento, que é mais ou menos um quinto do valor. Outro de lucro, cerca de dois quintos, e o restante de outorga, que vai para o Estado. Com essa outorga, se o Estado fosse honesto, quisesse gerenciar bem, poderia cobrar uma taxa menor, para desonerar a produção.
Diário – Os pedágios seriam mantidos?
Bufalo – Do meu ponto de vista, deve haver pedágio, para manutenção da estrutura, mas em um valor menor, que não onere tanto o cidadão. Eles (tucanos) se vangloriam da qualidade das rodovias no Estado. Mas sempre foi assim, somos o principal Estado do ponto de vista econômico. Sobre o modelo federal (do governo Lula), dizem que é melhor do que o estadual, porque é mais barato. Mas só se constrói a praça de pedágio, a rodovia continua perigosa. Então, nem um nem outro.
Diário – E com relação aos bancos?
Bufalo – Um Estado como São Paulo não poderia abrir mão da Nossa Caixa. Não sei se a saída é potencializar esse novo órgão de fomento ou pensar em ter um novo banco estatal. Porque o Banco do Brasil (que comprou a Nossa Caixa) opera no mercado. A Nossa Caixa também operava. Mas tinha todas as contas dos servidores públicos, o que é importante. Um servidor público, na atual circunstância, vai recorrer a um empréstimo, entrar no mercado como outro qualquer? O Estado poderia acolher melhor esse servidor. Recentemente estive em Presidente Epitácio, fui no gabinete do prefeito e ele me disse que havia uma escola vazia. Eu disse para ele pedir para o governador um curso técnico em navegação, como já existe em Barra Bonita. Quem pode financiar uma estrutura desse tipo em um primeiro momento? A Nossa Caixa pode ser esse banco de fomento. Nas ferrovias, aqui (em Rio Preto) passa transporte de carga, poderia retomar o de passageiros, e o banco pode ajudar. Todo mundo fala que o transporte ferroviário é importante, mas sempre abortam recursos.
Diário – Pelo quadro eleitoral atual, são todos contra o Alckmin, mas o PT leva vantagem nessa disputa em relação aos demais partidos. O que difere a sua candidatura da do Mercadante, que é o candidato de oposição mais bem colocado nas pesquisas?
Bufalo – Não que o Alckmin não mereça apanhar, mas eu não diria que estamos contra ele. Estamos contra a política atual. Dos candidatos que têm acesso aos debates, PV, PP e PSB, em São Paulo, apoiam o PSDB, incondicionalmente. No plano federal, apoiam o PT. O PT e o PSDB, nas últimas eleições municipais, estiveram juntos em mil cidades. É uma identidade muito grande. Conosco não estiveram em nenhuma (risos).
Diário – O Psol esteve com alguém em alguma eleição?
Bufalo – Estivemos com o PCB em Rio Preto nas últimas eleições. A nossa política de alianças é assim: não pode se aliar com quem tenha tido envolvimento com o mensalão. Ficava o PCB, o PSTU e o PH. Exceções a essa regra podem ser aprovadas pela direção nacional e estadual. Em Casa Branca (SP), elegemos um prefeito do PMN, porque tinha identidade popular. Nessa miscelânea de partidos, crise ideológica, os partidos viraram legenda, mas há exceções. No Amapá, tivemos aliança com o PSB, em Porto Alegre com o PV.
Diário – Com o DEM teve alguma?
Bufalo – Não, aí é demais (risos).
Atividades simultâneas da militância do PSOL por todo o Estado de São Paulo. Começando ao raiar do sol!
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Paulo Bufalo é professor, membro da executiva Estadual do PSOL, foi candidato a governador em 2010.
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