Nos últimos dias, em Francisco Morato, vimos um grande alarde em função de questões ligadas à prestação de contas eleitorais. Mais especificamente falando, sobre problemas, falhas, inconsistência, equívoco ou incompetência na prestação de contas da campanha do prefeito Zezinho Bressane. Situação esta que culminaria em cassação ou perda do seu mandato. Porém, agora, na data deste texto, parece que já está tudo arranjado e o ilustre prefeito continuará no cargo.
Esse caso, no mínimo, incita e aguça a curiosidade de todos para vermos as contas do Zezinho e se nos debruçarmos sobre as contas eleitorais do prefeito do PT, veremos coisas pelo menos curiosas e incomuns. Desde já, antecipando, deixo claro que não estou acusando nem colocando em dúvida a integridade moral de ninguém e nem estou sendo capcioso com tais informações, só estou relatando o que foi apresentado à justiça pela parte. E isso é público, está no site do Tribunal Superior Eleitoral.
Olhando com estranheza é possível ver as doações e os doadores da sua campanha. Por que com estranheza? Porque é muito curioso, nada prático e fora do comum alguém que faz uma doação de R$ 500,00, dividi-la em 10 depósitos de R$ 50,00 no mesmo dia. Isso é possível ver nas contas do prefeito e do comitê financeiro do PT. São vários depósitos, doações de campanha, de vários de seus candidatos a vereador, de secretários atuais, de funcionários atuais da prefeitura, de dirigentes municipais do PT e até do próprio prefeito, então candidato, dessa mesma maneira: divide um valor em 3, 5 ou 10 depósitos diferentes na mesma data. Será que o candidato a vereador, o atual secretário de uma pasta da prefeitura, o atual funcionário da prefeitura e o atual prefeito foram 10 vezes ao banco e pegaram fila em todas? Impossível! Ou será que eles ficaram na boca do caixa falando:
– Agora 50, agora 50, agora 50, agora 50, agora 50, mais 50, mais 50, mais 50, mais 50 e mais 50.
Aliás, só pra registrar, adoro o número 50 (mas não do modo deles!). Este número 50, de que gosto muito, passa certa tranquilidade, motivação, coragem, mudança e vontade de fazer as coisas de modo diferente.
Voltando ao tema principal deste texto, prestação de contas eleitorais do prefeito e do PT, é incomum alguém fazer inúmeros depósitos sequenciais na conta de alguém, principalmente como doação. Qual era a intenção dessa prática? Isso é passível até de pensar que parece que uma pessoa, a que controlava toda a receita da campanha, ia distribuindo os valores em doações feitas pelos diversos candidatos e os fazia assinar os recibos para justificar o dinheiro da campanha. Já ouviram falar daquelas prestações de contas montadas? Isso possivelmente ocorre em alguns lugares longínquos onde a justiça não anda, cochila e é meio cega. Onde têm políticos e correligionários mal intencionados, mas não aqui nem neste caso do nosso prefeito. Não estou acusando como disse no início do texto, mas dá margem a interpretações maldosas ou dúbias.
Pode ser que a coordenação de campanha do PT apenas achou uma forma diferente e inovadora de receber doações, colocando um limite, um teto de doações e os doadores quiseram exceder esse teto e fazer várias doações. Mas neste caso, se for isso, ficou também um pouco incoerente, já que tem doações que ultrapassam o valor de 10 mil reais.
Se você, leitor internauta, ficou curioso, é possível ver o que estou falando e saber até os nomes dos doadores no site do TSE.
Na consulta das receitas do Comitê Financeiro Municipal Único do PT é possível ver, só no dia 02 de agosto de 2008, 466 depósitos da maneira exposta acima. Alguns de R$150,00, outros de R$100,00, mas a maioria de R$50,00. Veja e confira:
http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/prestacaoContasFinal.htm
Há coisas nesta vida que talvez não tenham explicações. Como diria o grande mestre da literatura brasileira e mundial, Machado de Assis, no final da sua maravilhosa obra-prima, Dom Casmurro: Eis mais um dentre os tantos mistérios deste mundo.
Por Professor Daniel Perez
