Transporte Alternativo

PSOL e ATAI (Associação dos Transportes Alternativos de Itapevi),  fazem enterro simbólico da prefeita Ruth Banholzer

Transcrito do Jornal Itapevi Agora nº 688 (26/4/2008)

Fotos-Cristina Yoko Kusano

 


 

 

 

 

 

 

No final da tarde de ontem (sexta-feira,  25/04/2008), perueiros da Atai -  Associação dos Transportes Alternativos de Itapevi e militantes do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) fizeram nova manifestação de protesto,  que culminou com o enterro simbólico da prefeita Ruth Banholzer,  no Terminal Rodoviário,  após parada para discursos na rua Joaquim Nunes,  em frente ao Paço Municipal.

 

 

 

 

 

 

 

O cortejo com cerca de 11 vans,  tendo à frente um carro de som,  era aberto por militantes que carregavam um caixão preto,  com a inscrição “Morte da Esperança”. Ao microfone,  Alex da Mata e Silvio Marcio,  presidente e 1º secretário do PSOL de Itapevi,  revezavam-se em discursos,  enquanto militantes distribuíam panfletos.

O motivo principal do protesto era a apreensão de três vans e um microônibus de associados da Atai,  feita por fiscais da Prefeitura no último dia 14. Ontem (sexta-feira,  25/04/2008), a Prefeitura liberou os veículos,  informando à Atai que as multas serão cobradas por via administrativa ou judicial.

 

 

 

 

 

 

 

Em frente ao Paço,  Silvio Marcio discursou: “Estamos exercendo a nossa cidadania e protestando.

Estamos fazendo agora um velório,  simbolizando um velório para velar aqui a esperança do povo de Itapevi que morreu e está aqui neste caixão. A esperança que foi assassinada por esta prefeita de forma covarde e truculenta. A prefeita está desesperada porque a Atai e o transporte alternativo estão ganhando várias decisões na Justiça. A prefeita mandou apreender cinco vans dos companheiros na semana passada e conseguimos hoje tirar os veículos através de mandado de segurança,  mostrando que a lei é imparcial. Então,  é mais uma derrota da prefeita.”

Por volta das 18h00,  no Terminal Rodoviário,  Silvio discursou: “Neste momento estamos fazendo o enterro e dando o último adeus à esperança. Neste caixão está depositado toda a esperança que a população de Itapevi depositou na prefeita Ruth. Viva a luta dos trabalhadores que lutam por seus direitos!” E imediatamente militantes atearam fogo no caixão negro.
O carro de som continuou dando voltas pelo Terminal e os discursos contra a prefeita prosseguiram. Até que,  por volta das 20h10,  os manifestantes foram surpreendidos pelo secretário municipal da Receita,  Décio Martins Dias,  comandando a fiscalização. Ele estava à espera,  escoltado por alguns vários guardas municipais e policiais militares. Nas imediações,  um guincho a serviço do Demutran estava a postos.

Décio mandou parar a van azul de José Carlos Fonseca que fazia o serviço de som e pretendeu multá-lo por falta de licença da Prefeitura. O advogado José Simeão da Silva Filho,  que trabalha para Atai,  foi chamado e argumentou ao secretário que a Prefeitura não poderia multar o carro de som porque estava fazendo serviços sem fins comerciais e,  portanto,  não precisaria de licença da Prefeitura.

José Carlos livrou-se da multa municipal. Mas a van foi vistoriada pela PM,  que detectou que o pneu de estepe estava careca e a carga do extintor de incêndio vencida,  e ele recebeu uma multa de aproximadamente R$ 127,00.

Para reprimir os perueiros,  a Prefeitura alega que a juíza Fernanda Rossanez Vaz da Silva concedeu liminar determinando à Atai que “se abstenha de praticar serviços de transporte coletivo urbano remunerado,  sob pena de multa diária de R$ 10.000,00”. Como a ordem não foi cumprida,  a multa foi aumentada para R$ 30 mil por dia em 21 de janeiro. A Atai recorreu ao Tribunal de Justiça e perdeu um agravo de instrumento.

João de Lima Machado,  presidente da Atai,  afirma “não se trata de sentença transitada em julgado,  a multa aplicada pela juíza contraria a decisão do Tribunal que proibiu a apreensão de veículos da Atai” e por isso entrou com recurso especial e extraordinário no Superior Tribunal de Justiça,  em Brasília.