Se a Casa Grande não dorme, vamos organizar a resistência quilombola!

A aprovação do projeto de Lei que autoriza o processo de terceirização em todas as atividades produtivas sejam eles fins, meios e até no serviço público representa um dos maiores retrocessos do país pós escravidão.

Vale lembra que o nosso país carrega a marca de 517 anos de colonização, sendo neste período marcado por 350 anos de escravização que garantiu lucros exorbitantes para os senhores e o fim desse regime só foi possível a partir de muita luta e resistência, essa mesma luta, anos depois, somada com o surgimento do sindicalismo que garantiu direitos mínimos para o mundo do trabalho como férias, 13º salário, fundo de garantia, aposentadoria, salário mínimo, direito a greve.

Nenhum direito conquistado por trabalhadoras e trabalhadores neste país foi fruto da bondade dos patrões ou de governos, foram conquistas fruto da luta, desde a luta quilombola, passando pelas revoltas populares, pelas ocupações, pelas paralisações e pelas greves. Mas diante de uma sociedade tão desigual o mundo do trabalho também reproduz  grandes diferenças.

Mesmo no serviço publico que muitos acham que é o emprego dos sonhos por ter estabilidade, a parcela que ganha altos salários é muito pequena e a grande maioria formada por professoras(os), policiais, profissionais da saúde,entre outros,  recebem baixos salários, não tem aumento salarial há anos e com condições de trabalho super precárias, sem contar as contratações temporárias e o processo sistemático de privatizações dos serviços onde os governos contratam empresas que contratam profissionais com salários menores ainda e sem nenhum tipo de estabilidade.

No mercado de trabalho privado estamos vendo o número absurdo de trabalhadoras(es) desempregados que giram entorno de 12 milhões, como a oferta é grande abre campo para empresas contratarem com salários mais baixos, ou terceirizarem parte do serviço para outras empresas, pois sai mais barato, e as terceirizadas contratam com salários mais baixos ainda e muitas vezes inclusive sem registro de carteira não garantindo assim direitos básicos. Vale ressaltar que estudo apresentado pelo IBGE, recentemente, mostra como o desemprego atinge brutalmente a juventude, as mulheres e as negras e negros.

Em todo momento de crise é o mesmo discurso que aparece de cima para baixo, só vamos retomar o crescimento e gerar emprego se aprimorar as relações trabalhistas, precisamos flexibilizar, adequar a realidade, o mundo mudou, precisamos modernizar, o custo Brasil é muito elevado, as empresas estão quebrando, a arrecadação do governo caiu então precisamos cortar os gastos públicos na saúde, educação, programas sociais.

Vejam, todo o discurso é construído para que nós, trabalhadoras(es) que temos uma rotina de trabalho exaustiva, que anda de ônibus lotado, que sofre no SUS, que gostaria de ter um escola melhor nossas filhas(os), que vive inseguro, se está desempregado não tem uma mistura para colocar no prato, nos sintamos culpados por todas essa barbárie e defenda que é melhor mesmo retirar direitos,  é melhor ter um trabalho precário do que não ter trabalho.

Porém, a crueldade está no que não é dito nos grande meios de comunicação, como por exemplo, que são os  pobres  que mais pagam impostos nesse país, que as grandes empresas são os maiores sonegadores de impostos, que não existe rombo na previdência, que temos a maior taxa de juros do mundo que mantém um dívida pública que consome 46% do orçamento do governo federal. Ou seja, a crise é uma grande oportunidade para elite manter os seus privilégios e ainda ampliar a sua lucratividade.

Diante de um cenário como esse, onde mais uma vez querem colocar no colo da classe trabalhadora, das mulheres, das negras e negros, dos mais pobres a conta para responder a crise, retirando direitos, não nos resta alternativa que não seja a luta e o último dia 15 de março mostro que unidos temos muitas força para barrar os retrocessos.  Se a Casa Grande não dorme precisamos mostrar a nossa força quilombola!