A Máquina do Tempo

Por Manoel Francisco Filho

Aprendi com Neil deGrasse Tyson que segundo teoria de Albert Aistein seria possível uma curva no tempo e espaço em algum lugar do Universo, haveria possibilidade de proporcionar um portal para outra dimensão. Nunca fui muito bom em Física, abandonei o curso de Processo de Produção no terceiro semestre, esta ignorância em teorias me dá a liberdade de acreditar que em pleno século 21, em meio a uma profunda crise do sistema capitalista, o grande capital internacional achou uma saída para crise, à curva do tempo.
Encontraram na máquina pública o meio de transporte ideal para proporcionar esta viagem descrente, criaram máquinas eleitorais com personagens midiáticos velhos conhecidos de “reality show”. Criaram máquinas eleitoreiras que rodam sua engrenagem lubrificada em um sentimento preconceituoso e fundamentalista que prega a segregação, separando o joio do trigo, o bem do mal, o artista do marginal, o nativo do estrangeiro. Acabaram os marqueteiros das campanhas, pois agora o próprio passou a ser o candidato.
Na Neocolônia tupiniquim a máquina vem trabalhando a todo vapor na tentativa de reeditar a “lei dos sexagenários” que agora chegou na sua versão 2.0 ,pois se o limite de idade para aposentadoria no século 19 era de 60 anos, a tentativa atual é esticar para 65, igualando homens e mulheres. Logo de cara acionaram a função PEC 55 que dispõe do dispositivo “congelar os gastos públicos” nas áreas sociais, esta função nos leva em algum ponto do tempo entre o século XVIII e XIX. Para viabilizar com mais velocidade estas viagens, o grande capital trabalhou também com uma máquina midiática que foi utilizada na versão Impeachment, o termo é complicado, mais comumente chamávamos de “golpe” na década de 60 é que agora esta ferramenta vem na versão legitimidade.
O tempo também se curva na constatação que as senzalas nunca estiveram tão lotadas, a diferença agora é que ela tem diversas arquiteturas, das salas de telemarketing aos galpões de empresa, mas também aparecem no trabalho precarizado em cada semáforo. Não raramente encontramos pessoas dispostas a diminuir o recuo no tempo, achando que a solução seria uma boa e velha ditadura, no estreito entendimento somente ela seria capaz de colocar nos eixos o nosso projeto de país, afinal onde se viu tanta liberdade, ou libertinagem, como preferir…
Para este nostálgico segmento, os novos modelos arquitetônicos de senzala são um absurdo, se excedendo na diversidade, dando diversas possibilidades para nosso povo, essa tal de democracia não cumpre o seu papel quando a ideia de liberdade chega para grosso da população! Um fenômeno a ser estudado nesta viagem é que algumas coisas permanecem imutáveis, continuamos exportando commodities e o povo preto segue de forma paralela a este universo, sem muita alteração continuamos na base da pirâmide social e nos últimos anos observamos o aprofundamento da nossa pobreza.
Nossos “Senhores de Estado” continuam colocando os “capitães do mato” para exterminar os desajustados e super – encarcerar os resistentes, como diria o poeta “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. A pobreza, precariedade e a superexploração da mão de obra, sempre associada à falta de oportunidades, ainda tem um rosto, uma cor e um gênero! Ainda dependemos de “abolicionistas progressistas” para nos representar! Parece que definitivamente não podemos saber qual será o destino da nossa viagem, no entanto a saída oferecida pelo tempo, sempre foi à porta da esquerda. Por mais que às vezes esta porta se mostre confusa, obscura em meio a sua crise, o fato é que tateando devemos aprender a distinguir velhas e novas portas, já que as velhas portas não oferecem mais nenhuma saída para o futuro. Precisamos estar atentos para as novas portas, no limite ,somente elas escondem o botão que permitirá a nós a ejeção da máquina, na busca de um tempo onde todos os seres possam ter dignidade, em uma sociedade justa e igualitária.

*Manoel Francisco Filho é Militante do PSOL de Sorocaba e do Círculo Palmarino