O desmonte da USP é um ataque ao futuro de SP

As cenas de barbárie vistas na manhã dessa quarta-feira (20) na Universidade de São Paulo são o símbolo da situação grave para a qual o principal polo de ensino e pesquisa do Brasil foi conduzido pelo governo do PSDB.

Gilberto Maringoni

Bombas e tiros cobriram de gás e vergonha a portaria da USP. Professores e funcionários estão em greve há quase noventa dias exigindo melhores salários e aumento do investimento público na universidade. A resposta da reitoria, como tem sido hábito nos últimos anos, é truculência, repressão e indisposição ao diálogo.

O PSDB é o principal responsável pela crise enfrentada pelas três universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp. As três são responsáveis por 40% das pesquisas acadêmicas realizadas no Brasil. Pesquisas têm importância fundamental em várias áreas e são essenciais para o planejamento futuro do desenvolvimento.

A falta de democracia na gestão da Universidade permitiu aos reitores concentrarem poder através do aumento da burocracia.

No caso da USP, com o orçamento comprometido com projetos elaborados sem participação da comunidade acadêmica, a solução proposta para resolver o problema é a demissão de milhares de funcionários e o corte de verbas de enorme importância social, como bolsas de estudo e permanência de estudantes. Somos absolutamente contra essa lógica.

A educação pública precisa de mais investimento e financiamento público. O PSOL defende, junto com os movimentos sociais que atuam na USP, o reajuste do repasse do ICMS não apenas para a Universidade de São Paulo, mas também para todas as universidades estaduais paulistas.

A precarização desses patrimônios não vem por acaso. A notícia de que a gestão do Hospital Universitário da USP está sendo transferida do controle da própria universidade é mais uma demonstração cabal do projeto de desmonte do ensino público que o governo Alckmin defende.
Primeiro vem a precarização para que depois venha a privatização.
É inaceitável que a USP perca seu caráter público. É vergonhoso que reivindicações por melhores salários e mais investimentos sejam criminalizadas.

A democratização da universidade é a única solução para superar essa crise. Além de um processo eleição que contemple a opinião dos três setores da comunidade universitária (estudantes, professores e funcionários), é fundamental ampliar o acesso de estudantes de escolas públicas e negros através de cotas sociais e raciais e garantir a permanência de todos para que consigam concluir seus estudos com toda estrutura e suporte necessários.

O PSOL tem compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Reafirmamos nossa disposição de fortalecer todas as lutas em defesa do ensino com caráter popular e emancipador. O desmonte da principal universidade brasileira é um ataque ao futuro de São Paulo. É um ataque ao nosso povo. A USP – que completa oitenta anos neste 2014 – símbolo de resistência ao autoritarismo e de defesa da democracia.

Essa é uma luta cada vez mais necessária.

Gilberto Maringoni
Candidato a governador pela Frente de Esquerda (PSOL-PSTU)

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