Resolução do PSOL SP sobre as manifestações ocorridas nas últimas semanas.

manifestacao-20-de-junho-paulista-_ivan-dias50O Partido Socialismo e Liberdade do Estado de São Paulo declara seu total apoio às manifestações ocorridas em todo o Brasil, que se originou com a pauta das tarifas e incorporou diversas outras, expondo o claro descontentamento da população brasileira frente ao sucateamento e privatização do Estado e a atuação dos partidos da velha politica, que governam atendendo os anseios do poder econômico, promovem a privatização de serviços básicos como transporte, saúde e educação e atolam-se até o pescoço em esquemas de corrupção.

 

Uma face já conhecida do governo Alckmin se torna ainda mais clara neste momento em que a população sai as ruas: a forma truculenta e repressiva como reage  contra quem reivindica direitos e atrapalha seus negócios. A violência da polícia de São Paulo é uma realidade nas periferias, massacrando a população pobre e negra das cidades e agora se torna notória na manifestação pela redução da tarifa que ocorreu na cidade de São Paulo na quinta-feira dia 13 deste mês, estopim para que a população de todo o país tomasse as ruas e demonstrasse todo o seu descontentamento. O altíssimo preço das passagens e a péssima qualidade do transporte é somente a ponta do Iceberg de um conjunto de problemas e insatisfações, revelado na ampliação das mobilizações em defesa dos Direitos Humanos, reforçando as lutas das mulheres e LGBTs,

 

Em diversas cidades do Estado de São Paulo estão ocorrendo atos, passeatas e manifestações por parte daqueles que cansaram de suportar calados os desmandos de um estado que prioriza o pagamento de bilhões de reais a FIFA, para a construção de seus estadios e a realização de uma copa que se mostra lucrativa aos empresários, mas bem distante da realidade do povo brasileiro e de seus anseios por serviços publicos de qualidade. A consignia “Da copa eu abro mão, quero dinheiro pra saúde e educação” presente em todos os atos é expressão disso.

 

Não permitiremos/ Refutamos as tentativas/ que o maior levante juvenil e popular das ultimas décadas seja sufocado pela truculência da policia ou manipulado pela grande mídia que defende os interesses do setor privado. Seguiremos nas ruas junto à população, lutando pelo que é nosso por direito. É nosso papel destacar bandeiras de luta históricas, que afirmem e demarquem a disputa de um projeto antagônico ao neoliberalismo e que se expressa nas lutas por educação, saúde e transporte públicos, democratização dos meios de comunicação, reforma agrária e urbana, direitos dos trabalhadores e contra as privatizações.

O governo do Estado foi obrigado a retroceder em sua ofensiva contra os manifestantes graças à pressão popular. No entanto, em diversas cidades a violência empregada no 13 de junho paulistano se repete, com as prisões arbitrárias e o absurdo enquadramento por formação de quadrilha, sempre encobertos pela grande mídia.

Após uma década de lulismo a cooptação dos movimentos, a conciliação com os poderosos, o abandono de bandeiras históricas e  a implementação de um projeto neoliberal possibilitaram espaço para uma agenda de caráter conservador que deve ser combatida.

Nós do PSOL temos compromisso com os movimentos sociais e estaremos sempre juntos a eles, apoiando e participando das manifestações e contribuindo para a ampliação das lutas locais. É momento de nos aproximarmos ainda mais dos lutadores e lutadoras que nas ruas estão tomando pra si a responsabilidade da construção de um país livre. Momento de seguir combatendo as políticas neoliberais e enfrentando a direita tradicional e o PT, que em São Paulo, através do Prefeito Fernando Haddad, esteve em todos os momentos ao lado do Governo do Estado tanto no apoio a repressão, quanto na derrota perante o povo.

É necessário canalizar a energia que vem da rua e da indignação da população para pautas concretas, atuando na organização de movimentos que possam colocar em cheque todas as prefeituras do estado de São Paulo que mantém e reproduzem essa relação espúria entre interesses particulares e gestão do bem público.

Nesse sentido convocamos nossos Diretórios Municipais e Comissões Provisórias a organizarem plenárias para a discussão desse novo momento, das ações e politicas para o apoio e fortalecimento dos movimentos que vem surgindo. Nossa intervenção e atuação conjunta com os movimentos organizados em todas as regiões do Estado será fundamental para que toda a energia apresentada nas manifestações resulte em vitórias concretas que demonstrem a população a força da mobilização popular e a necessidade de transformações na sociedade .

 

Executiva Estadual do PSOL SP

São Paulo, 25 de Junho de 2013

1 comentário

  • Reflexão:
    Creio que toda essa movimentação país afora – merecedora de todo apoio esquerdista -, cometerá um equívoco histórico se não conseguir alterar os rumos até agora seguido pelas estruturas das organizações populares. O peleguismo, o entreguismo, o direitismo, o conformismo e a despolitização estão presentes – com algumas exceções – nas organizações sindicais e associações de bairros, por exemplo, e devem ser combatidos duramente durante estas ações e manifestações. A esquerda e os movimentos politizados devem reivindicar estes instrumentos de luta da classe proletário pra ontem. Este movimento, a meu ver, deve ter um cunho classista, socialista, popular e de transformação estrutural… Na minha opinião uma frente de esquerda juntamente com o Movimento pelo moradia e do MST, entre outros, mexerá com as estruturas dos organismos representativos dos trabalhadores dando força e rumo aos movimentos que ocorrem nas ruas, evitando um equivoco histórico e lamentável.
    Jornalista Ulian Jr. (Pelo movimento marxista e vertentes)

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