O “não” do povo europeu ao ajuste fiscal

Ocupamos a Tribuna neste momento para analisar o resultado das eleições na França e na Grécia. Eu acho que este resultado representa um não do povo europeu ao ajuste fiscal. Além da derrota da direita na França e na Grécia, temos a queda de vários ministros em países europeus, em que a dobradinha entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, impondo um brutal ajuste fiscal na Europa para manter o euro, agora recebe o troco.

A receita aplicada na Grécia dá 1 trilhão de euros aos banqueiros e, ao exigir um ajuste fiscal sobre aposentados e trabalhadores, recebe a resposta: cresceu um partido de esquerda, que é o segundo colocado. A social-democracia, agora, está em terceiro lugar na Grécia.

Na França, os socialistas moderados voltaram ao poder, mas cresceu a proposta de esquerda. O fato é que há um cansaço com a política neoliberal e com a política ditada pelo Fundo Monetário Internacional e pela troika europeia, que é o Banco Central Europeu.

Os países que hoje comandam a Europa — a França e, em particular, a Alemanha — vêm promovendo medidas de flexibilização do trabalho e corte nas aposentadorias, ou o aumento no tempo das aposentadorias, privatizações no patrimônio público e todo o tipo de dilapidação do Estado, para garantir os lucros do capital financeiro.

Portanto, nós ficamos satisfeitos com esses resultados e saudamos, na América Latina, o fato de que Argentina, Bolívia, Venezuela e Equador avancem, sim, para garantir que setores estratégicos da economia, como o petróleo e a energia elétrica, estejam nas mãos do Estado e do seu povo. Isso significa que o neoliberalismo está perdendo força e que é necessário reforçar a mobilização social em todo o mundo por igualdade.

Muito obrigado.

Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

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