O pecado do pregador é muito mais grave do que o pecado do pecador

Em discurso no plenário da Câmara, na terça-feira 3, o líder do PSOL, deputado Chico Alencar, citou frases do senador Demóstenes Torres defendendo severidade aos políticos corruptos do Brasil, anos atrás, e, agora, envolvido em relações muito suspeitas com o contraventor Carlos Cachoeira. “O pecado do pregador é muito mais grave do que o pecado do pecador”, disse Chico Alencar.

Leia o discurso.

“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, já que estamos na Semana Santa vale dizer que o pecado do pregador é muito mais grave do que o pecado do pecador. Estamos diante desse quadro, dessa situação.
Vejam só, como me disse um popular, ontem, na Av. Presidente Vargas — que me reconheceu —: Olha, o meu descrédito na política é absoluto, é total porque lá em casa nós víamos no Senador Demóstenes um arauto da moralidade, um homem intimorato, e agora se vê que tudo era mentira. Talvez Freud explique essas duas personas num indivíduo só.
Gregório de Matos: Neste mundo é mais rico o que mais rapa; quem mais limpo se faz, tem mais carepa; com sua língua ao nobre o vil decepa; o velhaco maior sempre tem capa..
Não bastasse o histórico conhecido de corrupção patrocinado pelo banqueiro — suponho que não é o banqueiro do bicho — na última década, que precisa ser devidamente apurado, iríamos corroborar para que as falcatruas prosperassem, caso mantivéssemos a cumplicidade do silêncio.
(…) Temos problemas não só de vícios. Temos a prática clara de delitos aqui dentro. Se há crimes contra a Administração Pública, tem de ir para a cadeia quem os cometeu.(…) 25/06/2009
(…) Para que existe o Congresso Nacional? Somos um bando de fouchés, figuras menores; figuras que vêm aqui com o único objetivo do enriquecimento pessoal e não para defender os interesses da sociedade; (…)
(…) Cada qual pague pelo seu erro, cada qual pague pelo crime cometido, cada qual pague pela improbidade. (…) 25/08/2009
(…) Sem espírito público não se pode sentar numa cadeira dessa.
(…) A resposta não pode ser arquivamento sumário, esquecimento, desmoralização. Repito: basta! Basta! O Brasil não merece esse espetáculo. Basta! 25/08/2009
Palavras que quero deixar aqui, nos Anais da Casa, de um cidadão chamado Demóstenes Torres, talvez do ex-Demóstenes, ou alguém que foi tomado pelo demo anos e anos a fio, enganando a boa-fé da população.
Vamos aplicar a este Senador, agora sem partido — mas não sei se ele adquiriu DNA desse tipo de procedimento no seu partido de origem —, as sanções que ele pediu sempre em relação à política no Brasil. Vamos ser fiéis às exortações desse cidadão.
E também todos nós, aqui na Casa —dissemos isso hoje ao Presidente Marco Maia, que nos acolheu prontamente, e sabe da gravidade da situação —, e nós, da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, presidida pelo Deputado Francisco Praciano, não podemos ter a postura do Senado, que nem Conselho de Ética tem, talvez porque a ética não seja uma questão importante para muitos de lá.
Mas nós temos os órgãos de correição: a Corregedoria, o Conselho, a Mesa Diretora, a Procuradoria da Casa. O Presidente já nos garantiu que solicitou ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República mais elementos das investigações em curso para saber todos os Parlamentares, eventual ou propositadamente, envolvidos nesse esquema, essa cachoeira do molhar a mão, essa cachoeira de indícios perniciosos para a vida pública brasileira e para este Parlamento.
A Câmara não pode ter a leniência do Senado; à medida que surjam nomes, a exemplo do que fez o Senador ex-Demóstenes, que peça que sejam investigados. Não solicitando isso, que é palmar e elementar, é claro que muitos de nós aqui e os nossos partidos o farão, como nós já fizemos, junto à Corregedoria, posteriormente ao Conselho de Ética.
Enfim, para fazermos a boa política, no que interessa à população, nós temos que limpar esse terreno basicamente e tirar, extirpar daqui todos aqueles que só pensam nos seus próprios interesses e não no interesse público,com autenticidade, sem a hipocrisia galopante, violenta, reverberante desse Senador, que caiu como uma torre mal construída pela sua própria história de vida, cínica, mentirosa e decepcionante.
Ainda que discordássemos profundamente da postura e visão do seu partido, é evidente que ele parecia ser alguém que fazia política com ética. Na verdade, era tudo jogo de cena, uma cena muito deprimente da história brasileira.
Que a Câmara também não acolha gente desse tipo!
Obrigado, Presidente.”

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