Balanço da Construção do PSOL-SP

Resolução aprovada no 3º Congresso do PSOL SP.
Enfrentamos um cenário eleitoral bastante difícil em 2010 e apesar dos reveses podemos afirmar que o PSOL saiu fortalecido daquele processo. Antes de começar as eleições a média das expectativas dentro do partido era de que caminhávamos para uma derrota. Poucos eram os que acreditavam na possibilidade da reeleição dos nossos mandatos. As extraordinárias votações obtidas, Ivan Valente (189.014 votos, o 15º colocado em SP) Carlos Giannazi (100.801 votos) e Raul Marcelo ( 56.607 votos) comprovaram um espaço político à esquerda.
As eleições de 2010 foram marcadas pela hegemonia do pensamento conservador. A marca da continuidade do modelo econômico deu o tom, a direita fez a opção de ir ainda mais à direita, com uma campanha que em alguns momentos beirou o fascismo. Por outro lado, a popularidade do governo Lula obstruiu os espaços de um debate mais crítico, mas mesmo assim o PSOL conseguiu demarcar um posicionamento à esquerda, que teve reverberação em setores importantes e abriu decisivos espaços para a construção do partido e a retomada da reaglutinação da esquerda socialista.
Em nível nacional a candidatura de Plínio/Hamilton se afirmou como uma referência, muito além dos votos obtidos na urna. Pesou na reta final o chamado voto útil, o pragmatismo eleitoral que tem vitimado o PSOL nas eleições majoritárias e contra o qual precisamos criar mecanismos de enfrentamento nas próximas disputas. Plínio se destacou em relação às outras candidaturas, polarizou com os três candidatos da ordem, levou dúvidas e contradições à base mais progressista do governismo e se consolidou como referência para os setores mais combativos, atraindo em especial a juventude.
A candidatura Paulo Bufalo/Aldo Santos desempenhou em SP um contraponto crítico. Nos debates fez a diferença programática, em especial em relação ao PT. Paulo Bufalo cumpriu também uma forte agenda no interior do Estado, utilizando a sua candidatura como um meio também de construção partidária e fortalecimento das candidaturas proporcionais e de nossas lideranças locais. Teve destaque ainda: a elaboração do programa de governo, a partir dos esforços da nossa militância, um documento que é um referencial importante para a construção de nossa política no Estado.
Já a candidatura de Marcelo Henrique ao Senado se somou às candidaturas de Plínio, Paulo Bufalo e nossos proporcionais. Foi uma candidatura coletiva, a serviço do partido, que soube usar os espaços de entrevistas e debates para ajudar a fortalecer de conjunto o PSOL. Cumpriu também uma importante agenda no interior do Estado. Teve destaque também a candidatura do companheiro Aldo Santos a vice-governador, injustamente penalizado e perseguido por sua atuação nos movimentos sociais.
Nas disputas proporcionais optamos por lançar o maior número possível de candidatos. Ao todo, 93 para deputado federal e 108 para deputado estadual. Uma chapa de tal dimensão significou uma extraordinária sobrecarga organizativa e política para um partido do tamanho do nosso, e infelizmente, neste processo tivemos um esvaziamento da coordenação de campanha.
As iniciativas de ação conjunta propostas pela Direção Estadual do PSOL e pela coordenação da campanha de Paulo Bufalo se mostraram como um método acertado. O Seminário de Formação dos candidatos realizado em maio de 2010, se mostrou uma iniciativa positiva, que em muito ajudou na preparação dos candidatos. O kit de materiais significou um barateamento da produção gráfica e para muitos a única oportunidade de ter foto, logo e material de qualidade. Os chamados panfletaços colocaram o PSOL de forma simultânea em inúmeros locais, dando maior visibilidade ao partido. A campanha dos 300 mil votos (seja 1 dos 300 mil) na reta final chamou a atenção para o quociente eleitoral e ajudou a consolidar a votação proporcional no partido. A campanha de legenda foi outro elemento importante, o que assegurou a manutenção de um índice respeitável, 60.644 votos para federal e 95.005 para estadual. (5º colocado entre todos os partidos).
Cabe destaque também ao uso da internet nas eleições. Optamos por criar uma rede envolvendo todas as candidaturas dispostas a participar, assim alocamos no site estadual do PSOL SP os sites de Paulo Bufalo e Marcelo Henrique, além de 73 sites de candidatos proporcionais. O número de visitas obtido mostra o resultado da iniciativa: 132.848 visitas em setembro e 36.643 visitas só no dia 2 de outubro, véspera das eleições.
Outro destaque foi para o uso da TV e do rádio. Apesar do pouquíssimo tempo, conseguimos nos diferenciar e chamar a atenção para temas e debates fundamentais. Não é à toa que recebemos o Prêmio Arco Iris pela propaganda veiculada no programa do Paulo Bufalo que exibiu um beijo gay entre dois jovens. O primeiro da história da TV Brasileira. A opção foi por um formato de programa que se apresentou de forma criativa e conseguiu atrair minimamente a atenção do eleitor para um conteúdo que talvez não fosse notado quando exposto no tradicional formato da oratória de palanque. Esse formato foi capaz de apresentar o partido como um espaço arejado, contundente e progressista, destoando da milionária maquiagem marqueteira.
Fora do período eleitoral o PSOL tem se mantido presente nas lutas e se organizado em praticamente uma centena de municípios. Nesse último período, o partido esteve nas ruas na campanha contra as mudanças no código florestal e pelos 10% do PIB para a educação. Também esteve presente nas lutas populares como as greves municipais do funcionalismo de Guarulhos, Diadema, Campinas e Osasco. A luta contra a corrupção com destaque para as cidades de Campinas, Taubaté, Taboão e São José do Rio Preto. A luta contra os aumentos de salários dos vereadores em vários municípios, com destaque para São Bernardo do Campo onde fomos vitoriosos. Nas lutas das mulheres, por direitos e contra o machismo, a violência ea criminalização. As lutas estaduais como a greve do Instituto Paula Souza, as mobilizações dos trabalhadores da saúde contra as privatizações, as manifestações de rua contra o aumento das passagens de ônibus e a Marcha da Liberdade. E no 8 de março, 1º de maio e 13 de maio de luta.
O partido na rua tem se mostrado um instrumento interessante e original, de diálogo direto com o povo e diferente de tudo que os outros partidos fazem, propagandeando o PSOL e suas bandeiras não só no período eleitoral.
O PSOL também tem sido uma importante referência nos municípios onde temos mandato de vereador, como em Casa Branca e São José do Rio Preto.
Outra iniciativa fundamental tem sido a construção e fortalecimento dos setoriais, espaços que devem ser mais potencializados e que permitem uma aproximação mais direta do partido com a população. É importante fomentar e investir em política de formação de mulheres como quadros dirigentes para a luta partidária, para a intervenção nos movimentos e para a ocupação da esfera institucional. A participação das mulheres não será fruto apenas de formação, depende também das cotas de no mínimo 30% de mulheres em todas as instâncias partidárias, e é preciso lutar pela ampliação significativa desta tendo em vista a paridade. Setoriais como o de pessoas com deficiência, ecossocialistas, negras e negros, comunicação, LGBT, mulheres, juventude, direitos humanos, devem ser incentivados e organizados, e outros poderão ser criados a partir das demandas e disposição da nossa militância.
Na comunicação criamos uma rede de sites municipais que é uma experiência inovadora e potencializa a nossa presença e ocupação de espaço nos municípios. Essa experiência ainda precisa ser mais bem trabalhada e incorporada pelo conjunto do partido, uma vez que permite de forma barata ampliar a capacidade de comunicação deste e de abertura para novos filiados e simpatizantes.
A direção estadual do PSOL pautou sua ação política e iniciativas tendo como base a democracia e a pluralidade de posições. Mesmo nos momentos críticos, a opção foi, como não poderia deixar de ser, por respeitar as instâncias e o rito democrático. Nossa construção sempre foi feita respeitando os ritmos e possibilidades do PSOL em cada cidade e regiões, sem imposições, sem atropelar o processo de consolidação do partido e incentivando a organização local e a responsabilidade dos municípios. Isto faz com que a implantação do partido vá tomando enraizamento sólido em várias regiões, fazendo com que as condições para o crescimento e fortalecimento do nosso partido seja hoje uma realidade no Estado de São Paulo

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