Cuba celebra o 21 de março – Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

Por Fábio Nogueira Direto de Havana, Cuba

Em matéria de uma página o jornal Gramma, de 18 de março, quinta-feira, fez-se alusão ao dia 21 de março em que se celebra, em todo mundo, o dia internacional contra a discriminação racial em memória aos negros assassinados no massacre de Shaperville, na África do Sul pelo regime do Apartheid. O jornal cubano lembrou das dificuldades da população negra nos anos anteriores a Revolução de 1959 e a necessidade de continuar enfrentando se avançar no país no sentido da superação definitiva do preconceito racial.

Neste mesmo dia (18), quinta-feira, das 09h às 12h, no Centro Juan Marinello, foi realizada uma Roda de Conversação, coordenada por Gisela Aranda, do Color Cubano, que contou com a presença do Prof. Esteban Morales, Sandra Yasmin, representante do Projeto Paloma, José Juan Iglesias (ONU/Unicef) e Fernando Martinez (diretor do Centro Juan Marinello), entre outros. Presitigiaram a atividade os companheiros da Confraria de La Negritud e do Comitê Cuidadano Contra a Discriminação Racial, que desenvolvem suas atividades em Havana. O Círculo Palmarino, única entidade negra brasileira presente, foi representado pelos companheiros Fábio Nogueira, Iacy Maia e Iná Meireles. No final da atividade, se apresentou o grupo de música afro Obá Airê que entoou cantos da cultura arara.

Ainda, no dia 18, a tarde, na Biblioteca José Marti foi apresentado o documentário “1912 – Voces para el silencio”, da diretora negra Glória Rolando, e que reconstitiu, com depoimentos de intelectuais cubanos e norte-americanos, a trajetória do Partido Independente de Color (partido negro, fundado em 1906 e que, em 1912, foi trucidado pelo governo liberal, o que redundou no assassinato de seu líder Esternoz e de mais de 3mil membros do partido). Depois da exibição do filme, acompanhado por dezenas de intelectuais, convidados e militantes anti-racistas cubanos, seguiu-se uma mesa redonda com a presença de Glória Rolando, diretora do documentário, o intelectual anti-racista e autor de diversos livros sobre a temática racial em Cuba, Thomas Fernades Robaina; Gisela Aranda (Color Cubano), o intelectual negro Esteban Morales e o diretor da Biblioteca Nacional, Eduardo Torres-Cuevas.

No dia 21 de março, às 9h, um grupo de militantes anti-racista, em um gesto simbólico, depositou flores no busto de Juan Gualberto Gomes, intelectual negro, jornalista e líder independentista, localizado na Unión de Los Periodistas de Cuba, em Vedado. Depois, o mesmo grupo rumou ao monumento construído, em Vedado, a memória de Malcom X e Mather Luther King, depositou flores e realizou um pequeno discurso lembrando a decidação de ambos na luta contra o preconceito racial.

No domingo, dia 21, das 12h às 14h, no Centro Comunitário Projeto La Celba, a Confraria de la Negritud, realizou sua atividade em homenagem ao dia internacional de luta contra o racismo. A atividade, coordenada pelos confradres Norberto Mesa e Tato Quiñones, teve início com a execução do hino nacional cubano e a leitura e saudações de uma relação de mártires da luta contra o povo negro. Entre eles, foram lembrandos Zumbi dos Palmares, Antônio Maceo e Waltério Carbonell. Durante a atividade, a Confraria de La Negritud homenageou Eri Eriel, diretor do documentário Raza (que fala sobre o racismo em Cuba e teve alguns de seus trechos exibidos na TV Cubana) e a poetisa e escritora negra Georgina Hererra. Os presentes colocaram a necessidade de exibir o documentário Raza em todos os espaços da sociedade cubana: nas escolas, nos CDR (Comitê de Defesa da Revolução) e no PCC (Partido Comunista Cubano). Georgina Herrera, a poetisa negra homenageada, lembrou que, ao contrário de outros escritores, para ela “a poesia é arma de combate” e agradeceu emocionada a homenagem da Confraria de La Negritud. Os membros da Confraria lembraram as palavras do Comandante em Chefe, Fidel Castro, sobre a necessidade de se combater o preconceito racial ainda existente na ilha. Ao término da atividade foi exibido o documentário Bendita Sea La Marina, produzido por Caminos e Centro Martin Luther King, em que descrevem a bem sucedida parceria entre poder público local e população na recuperação do bairro negro de La Marina, no município de Matanzas.

Neste mesmo dia 21, das 15h às 19h, no solar Califórnia (onde se desenvolve um projeto de recuperação daquele espaço por iniciativa do poder público), em Centro Habana, aconteceu a Mega-Rumba, em que músico afro-cubanos se revezaram no palco durante mais de quatro horas, apresentando um belíssimo espetáculo de rumba às centenas de moradores do solar (de maioria negra). Gisela Aranda, uma das organizadoras da atividade, falou aos presentes da importância daquela data na luta contra a discriminação racial. Naquela tarde quente, no primeiro dia da primavera, o embalo da rumba contagiou todos os presentes ao Projeto Califórnia, moradores e ativistas anti-racistas, e encerrou-se assim as atividades relativas ao dia mundial de combate a discriminação racial.

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