Martiniano, Plínio e Babá A candidatura, a anti-candidatura e a linha auxiliar

Rodrigo Silva (Digão)

Após o primeiro debate entre os prés-candidatos a presidência do Brasil pelo PSOL é possível reconhecer a quem serve cada uma das candidaturas.
Martiniano e sua militância têm se jogado no debate político sobre a futura candidatura do partido e a melhor maneira de dialogar com a população, fato que não tem sido acompanhado pelos outros candidatos e sua militância.

Ainda na candidatura de Plínio, pode-se encontrar uma ou outra proposta programática, mesmo sendo estas voltadas apenas à vanguarda e aos movimentos sociais mais organizados em detrimento dos quase 7 milhões que votaram no PSOL em 2006.
O triste neste cenário é ver como tem se portado a candidatura de Babá e a sua militância. Babá e CST têm servido como linha auxiliar à candidatura de Plínio. Em suas defesas, como já foi apontado por diversos companheiros em nas avaliações do primeiro debate, a tônica usada é de intenso ataque à Martiniano, não apresentando propostas programáticas, e sim pavimentando o caminho para a candidatura de Plínio.
É justo que se apóie uma ou outra candidatura e é totalmente saudável o momento de debate que enfrentamos no partido. Mas é preciso que essa defesa seja a mais clara possível. Não é aceitável que haja uma candidatura com o papel de reduzir o debate político à acusações a um candidato ou a sua militância.
Em carta divulgada pela Internet, Michel Oliveira e Diego Vitello criticam o fato de Martiniano ter sido defensor das conversas com Marina Silva. É preciso esclarecer aos companheiros que essa foi uma linha aprovada na Executiva Nacional e que hoje grande parte dos apoiadores de Plínio defendiam que elas ocorressem, como a APS inteira e, Ivan Valente em especial, e o Enlace de João Alfredo. Por que não vemos então críticas a essa candidatura, que tem duas grandes correntes que apoiaram essa mesma linha? As críticas ainda deveriam ser feitas a Plínio e seu grupo pelo fato de que a revelia das instâncias partidárias, esses propagandeavam uma candidatura própria do PSOL e já estabelecia aquele como candidato.
É interessante o fato de se agregar em uma candidatura aqueles que, desrespeitando o resto do partido, trabalharam paralelamente numa candidatura própria e, os que até o último momento participaram das conversas com Marina Silva/PV. Mais interessante ainda é o fato da candidatura de Babá e seus apoiadores não apresentarem nenhuma crítica a esse grupo, mas trabalharem o tempo todo na ofensiva contra Martiniano.
É preciso entrar no debate de que apesar de ser um partido socialista e ter como objetivo o socialismo, o PSOL não se resume a debater apenas com os socialistas. O caráter fundacional do partido deve ser relembrado e reafirmado neste momento. O PSOL nasceu com uma grande responsabilidade: agrupar a esquerda brasileira que se encontrava desarticulada, mas esse partido nasce com outro grande papel que era o de conseguir influência nas massas e, isso não quer dizer apenas organizar os socialistas convictos, mas debater e militar dia a dia ao lado daqueles que apresentavam papel mais progressista na sociedade e através da luta cotidiana elevar a consciência destes lutadores.
O PSOL não deve ser apenas um partido de socialistas para socialistas e sim um partido do povo para o povo. Querer restringir o debate político à pequena parcela socialista da população brasileira é cumprir o papel que a burguesia espera que cumpramos, o papel de ser sempre, parafraseando o poeta Thiago de Melo “a solitária vanguarda de nós mesmos”, um partido fechado em si, papel que já é cumprindo por alguns partidos há mais de vinte anos. O PSOL deve sim falar em socialismo, mas se isso não for sinônimo de diálogo (e principalmente diálogo com a população), não é socialismo, é propagandismo. E propagandismo é a antítese do socialismo.
Michel e Diego ainda saem em defesa de Plínio, pelo fato deste ter avaliado que “o governo Lula foi muito melhor que o governo FHC”. Para absolver Plínio, justificam que seria o mesmo que um hipotético apoio de Luciana Genro ao ministro petista Tarso Genro caso ocorra um segundo turno no Rio Grande do Sul. É preciso que neste momento de fervilhante debate político no interior do partido, as análises se atenham a fatos e não a hipóteses deslocadas do eixo do debate.
Os companheiros dialogam durante toda sua carta com o dirigente do MÊS Roberto Robaina. Fazem isso pelo fato de historicamente combaterem a direção do partido, mas se esquecem de que hoje “a nova maioria” está ao lado da candidatura de Plínio. Mas atacam Robaina por outros motivos. Atacam-no porque ele luta para que o PSOL se afirme como um partido que disputa o poder e a influência nas massas, porque fez com que o PSOL gaúcho, junto com Luciana Genro, fosse um exemplo de combate ao capitalismo, sabendo aproveitar-se de suas fissuras e explorar suas instâncias burocráticas.
Michel e Diego criticam ainda a disputa do delegado Prótogenes, como se ele não devesse ser disputado. O delegado foi disputado como devem ser disputados todos os outros não socialistas. O PSOL não deve se limitar a disputar os socialistas convictos, disputar a pequena vanguarda existente com PCB e PSTU. A imensa maioria da população brasileira não é socialista. Por isso o Brasil e o mundo estão como estão. Devemos disputar aqueles que não são socialistas e essa tarefa é a mais difícil, a disputa com o capital. Não devemos trilhar o fácil caminho de ser a pureza do socialismo que se proclama às vanguardas e sim assumir nosso papel histórico de disputar cada brasileiro com o capital, com a Rede Globo, com o voto de cabresto, com a idéia de que todo político é corrupto, do voto útil e do voto no menos pior.
Esperamos que a candidatura de Babá mostre realmente a que veio, apresentando assim elementos que o postule realmente a ser o candidato à presidência do Brasil pelo PSOL, ou que assuma a simpatia que tem pela escolha de Plínio na convenção eleitoral dos dias 10 e 11 de abril.

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  • Aos que estão verde de raiva. Babá vermelho de coração! Aos que lutaram por uma candidatura própria do PSOL, e não embarcaram no lodo verde da Marina Silva, Zequinha Sarney e os milhões da Natura. Babá Presidente!

  • Vejo que o companheiro Rodrigo está totalmente equivocado e não sei se por desconhecimento ou por puro cinismo político, procura inverter a ordem dos acontecimentos dos debates eleitorais do PSOL.
    Ora companheiro quem saiu anunciando aos quatro ventos a sua predileção política por Marina Silva, sem que nenhuma instância so PSOL tenha tirado uma vírgula que apontasse nessa direção e a revelia de uma grande maioria da militância do PSOL, foi Heloísa Helena. Logo em seguida, sabedores da não-candidatura de Heloísa para presidente, o MES e Luciana Genro saíram em dispara na busca de uma negociação com o PV. O lançamento da pré-candidatura de Plínio de Arruda, ao contrário, foi feito no II Congresso Nacional do PSOL na presença de todas as tendências e dos delegados legitimamente constituídos, num momento aonde Heloísa Helena em nome do seu Estado, recusa sua candidatura a presidente. Como companheiro você me afirma uma inverdade deste tamanho? “As críticas ainda deveriam ser feitas a Plínio e seu grupo pelo fato de que a revelia das instâncias partidárias, esses propagandeavam uma candidatura própria do PSOL e já estabelecia aquele como candidato”. POis bem, o grupo que a todo momento estava “costurando” negociações por fora não foi o grupo que buscava a candidatura própria. Nesse momento era mais fácil saber informações sobre os rumos eleitorais do PSOL pela mídia do que pelas instâncias partidárias. Foi então que a Executiva de forma inteligente, formulou uma carta para dialogar com o PV com os pontos fundamentais da política do partido. Como era de se esperar o PV recusou essa carta. Por isso companheiro suas críticas não têm conteúdo. Outro ponto também que lhe falta substância é querer numa fala de Plínio descaracterizá-lo como contra ponto ao PT e ao PSDB. Quem não tem capacidade de contrapor a falsa polarização é sem sombra de dúvidas Marina Silva e o PV e isso é demonstrado factualmente durante toda a carreira política de Marina e da guinada do PV,cada vez mais longe de sua refundação, ao discurso neocapitalista. E novamente, não se faz políticas com mentiras o que Plínio diz é uma realidade, Lula embora seguindo todas as medidas neoliberais, fez um governo melhor do que FHC, mas não podemos isolar essa afirmação. Plínio diz também “Você tem 70 milhões de brasileiros em situação melhor. Uns 20 milhões, porque a renda aumentou, com acesso aos eletrodomésticos. E tem 50 milhões de pessoas que pelo menos estão recebendo R$ 100 por mês. Essas pessoas estão satisfeitas; e isso explica os 80% de aprovação do Lula. É a cultura do favor: esse que recebeu atribui a um favor do Lula e quer pagar esse favor, com o quê? Com o voto. É um assistencialismo muito bem colocado. E, para a burguesia, é uma mão na roda: a população tranquila e ela mamando à vontade”.(O Globo). Uma campanha que verdadeiramente seja uma alternativa para a falsa polarização DilmaXSerra, deve ser feita com inteligência, com astúcia, com conteúdo e com coração, elementos indiscutíveis presentes na vida e na história do companheiro Plinio de Arruda.

  • Babá não é linha auxiliar de Plínio. Agora, Martiniano seria a linha auxiliar de Marina. Este projeto foi derrotado. Só não vê, quem não quer!
    Babá Presidente!

  • companheiras, companheiros, o inimigo está lá fora, são os tucanos e os lulopetistas dilmistas, e seus aliados. não aqui dentro, no PSOL. a disputa interna é saudável, mas não quando se transforma num “entredevoramento” de lideranças e tendências. a campanha eleitoral de 2010 não é o momento mais adequado e conveniente pra a luta interna pelo controle do partido. fiz parte dos que integraram a primeira hora do PT, nos idos de 1981, e vejo com pesar a repetição dos mesmos equívocos então cometidos. e com o agravante de ser mais exacerbada hoje. por que os defensores das pré-candidaturas não se miram no exemplo do Chico Alencar com sua carta de questionamento ao Plínio, feita com lisura e respeito? se assim fosse feito todos ganhariam, o PSOL com principalidade. vamos pôr a mão na consciência e abandonar este estilo agressivo, destruidor, desonesto mesmo. sérgio vladimiro guimarães, 78, simpatizante da APS-PSOL/BA.

  • OLHA SOU DO INTERIOR POREM GOSTARIA MUITO VER MARTINIANO PRESIDENTE POIS ELE DARIA CONTINUIDADE AO QUE NOSSA SENADORA HELOISA HELENA COMEÇOU PODE QUE COM A VERGONHA NACIONAL ROUBALHEIRA PEDAGIO ALEM DA CONTA SUPONHO QUE O POVO BRASUCA APRENDEU QUE LULISMO JA NAO ENTRA NA CABEÇA DESTE POVO VARONIL POIS MUITOS DA CIDADE GRANDE NAO ENTENDE O QUE A MIDIA FALA POIS ISTO SAO CODIGO DO CAPITALISMO QUANDO FALAM EM PORCETAGEM ,SABEM QUE O TRABALHADOR AQUELE QUE FICA ATE 14 HS NO TRABALHO NAO SABE NEM IMAGINA QUE METADE DO SEU SALARIO E QUE PAGA ESTA CONTA POR ISSO DIGO VOTEM PSOL VOTEM 50? OSMAR VILELA, EPITACIO .SAO PAULO .BRASIL

  • Prezados companheiros

    Acredito que o debate político favorece o crescimento dos membros do partido e, consequentemente, do partido, vitalizando nossos ideais em discussões ideológicas e promovendo a liberdade intelectual, entretanto, acredito que a extrapolação das questões ideológicas para questões de cunho organizacional do PSOL e mesmo pessoal em algumas discussões partidárias devem ser repudiadas por todos nós. Devemos lembrar que maior do que o que nos separa é o que nos une, e assim ganharemos maior unidade para lutarmos contra a forte frente capitalista em nosso país. A desagregação partidária em nada favorece o crescimento político do PSOL. Devemos ter claro em nossa consciência que jamais conseguiremos consenso em um partido com um número relativamente grande de membros como o PSOL e, assim, devemos considerar uma opinião partidária, determinada por uma maioria, ainda que não perfizesse a totalidade do partido, como sendo a de todos os componentes. A discussão, após a escolha do candidato a presidência deve ser a seguinte: escolhemos o candidato do PSOL para presidente do Brasil e não o candidato do MES, APS etc, e devemos agora definir qual será o enfoque dado pelo nosso candidato durante a campanha eleitoral. Muitas discussões observadas nos congressos do partido parecem ser mais brigas desprovidas de qualquer razão significativa e motivadas por questões irrelevantes para o partido do que uma discussão ideológica que sirva para o crescimento do PSOL. Se uma reflexão para o fim dos embates ainda é inviável, sugiro um armistício até o fim das eleições para o bem do PSOL.
    Abraços

    Marcelo Reina Siliano

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