Trabalhadores saem às ruas contra crise, por reforma agrária e redução da jornada de trabalho

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Trabalhadores saem às ruas contra crise, por reforma agrária e redução da jornada de trabalho
Para MST, governo Lula não tem compromisso com reforma agrária; no interior, sem terra ocuparam praça de pedágio e liberaram fluxo à população
Por Lúcia Rodrigues
Milhares de trabalhadores saíram às ruas do país nesta sexta-feira, 14, para protestar contra a crise, por reforma agrária e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário. Na capital paulista, o protesto ocorreu na avenida Paulista e reuniu aproximadamente 10 mil pessoas.
Para o presidente do PSTU e coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, o governo federal “só protege os banqueiros e empresários”. Segundo ele, de setembro do ano passado até agora foram fechados dois milhões de postos de trabalho. “Só a indústria automobilística demitiu 12.500 funcionários. E o Lula não toma nenhuma medida para proteger os trabalhadores”, protesta o sindicalista.
“O governo federal socorre as montadoras, o agronegócio e os banqueiros e diz que não tem dinheiro para a reforma agrária. O governo tem de parar de dar dinheiro para os ricos. Isso é inaceitável”, reforça o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP). Ele conta que no ano passado o governo federal pagou R$ 282 bilhões em juros e amortizações da dívida.
“O governo não quer investigar a origem da dívida. Na última quinta-feira, 13, o PT retirou os nomes de seus deputados da CPI que investigará a dívida pública brasileira.”, denuncia o deputado do PSOL.
Mas as criticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não partem só de seus opositores, alguns aliados também estão descontentes com os rumos da administração federal.
“O governo não conseguiu fazer as reformas agrária, urbana, educacional, tributária e política, porque é um governo contraditório. Mantém acordo com o capital financeiro, mantém o Meireles no Banco Central e nega dinheiro para a reforma agrária”, critica dirigente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) João Batista Lemos.
Reforma agrária
Para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o governo federal não tem compromisso com a reforma agrária. Os números apresentados pelos trabalhadores rurais informam que 90 mil famílias moram em acampamentos espalhados pelo país. Os índices de produtividade da terra também não são alterados desde 1964, segundo o MST.
“Estamos caminhando há mais de uma semana por reforma agrária. Já perdemos uma companheira no trajeto (militante morreu atropelada na rodovia Anhanguera). O dinheiro que é dado ao FMI deveria ser destinado para melhorar as condições de vida do povo. Vamos cobrar de Lula as promessas não cumpridas”, frisa o dirigente nacional do MST João Paulo Rodrigues.
“Sem terra ninguém vive. Estou aqui para lutar por quem não tem um pedaço de chão”, destaca o mais idoso dos sem terra. Luiz Beltrame de 100 anos, completa 101, em 10 de outubro, fez questão de acompanhar a marcha do MST à capital paulista.
Baiano de Paramirim veio para São Paulo há 85 anos, para trabalhar na roça. “Catava algodão, cortava cana e carpia a terra. Sempre trabalhei para os outros”, conta. Hoje, ele é assentado em uma fazenda conquistada pelo MST, em Promissão, no interior do Estado de São Paulo.
Viúvo e pai de oito filhos, Beltrame tem 47 netos, 68 bisnetos, 10 tataranetos e a certeza da disposição para a luta. Apesar da idade avançada, ele já participou de várias manifestações organizadas pelo MST.
“Fico muito satisfeito de ter a minha terra. Mas venho fazer força para que os outros tenham também”, afirma ao se referir à sua participação na marcha por reforma agrária.
Pedágio liberado
Além da manifestação na capital, os sem terra participaram de outros protestos no Estado. Na Baixada Santista, eles interromperam o trânsito na via Anchieta e participaram de manifestações em frente à RPBC (Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão).
Em Paulínia, região de Campinas, eles protestaram contra a construção de um pedágio que o governo do Estado pretende instalar na rodovia que dá acesso à Replan (Refinaria do Planalto). Os sem terra também participaram da manifestação organizada pelos petroleiros em frente à refinaria.
No Vale do Ribeira, os trabalhadores rurais ocuparam a praça de pedágio da rodovia Régis Bittencourt, na cidade de Eldorado, e liberaram o fluxo gratuitamente aos motoristas.
100 mil em Brasília
Tradicional adversário de Lula no movimento sindical, o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, surpreendeu com um discurso em defesa do governo federal.
“Não se pode atacar tanto, um governo que tem defendido os trabalhadores. Graças ao aumento do salário mínimo estamos saindo da crise. Temos de apoiá-lo, ano que vem tem eleição. Devemos tomar cuidado com o picareta do Serra”, afirmou Paulinho, logo após a intervenção crítica ao governo federal, realizada pelo dirigente do MST.
“Vamos colocar 100 mil pessoas em Brasília para reduzir a jornada de trabalho”, antecipa o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) , Artur Henrique.
A principal bandeira da CUT para o próximo período é a redução da jornada de trabalho, para 40 horas semanais, sem redução de salário. A Central pretende pressionar os deputados federais a aprovarem uma lei, ainda este ano, garantindo o benefício aos trabalhadores.
“Queremos que o Congresso vote medidas que favoreçam a classe trabalhadora ao invés de ficar discutindo a CPI da Petrobras”, afirma Artur Henrique.
Guerrilha do Araguaia
“A Guerrilha do Araguaia foi um marco na história. Não vamos abaixar a cabeça para aqueles que querem manter o povo na ignorância sobre essa realidade” afirmou o vereador Jamil Murad (PC do B–SP) à reportagem da Caros Amigos, durante a passeata na avenida Paulista.
Para Murad, a história pertence à sociedade civil. “É preciso abrir os arquivos da ditadura.” Ele conta que as Forças Armadas sabem onde estão os corpos dos guerrilheiros que foram assassinados pelo Exército.
“As Forças Armadas têm uma dívida com o povo”, destaca o vereador, ao se referir à necessidade de localização e identificação dos corpos dos guerrilheiros mortos no Araguaia, na década de 70.

Para MST, governo Lula não tem compromisso com reforma agrária; no interior, sem terra ocuparam praça de pedágio e liberaram fluxo à população

Por Lúcia Rodrigues

Milhares de trabalhadores saíram às ruas do país nesta sexta-feira, 14, para protestar contra a crise, por reforma agrária e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário. Na capital paulista, o protesto ocorreu na avenida Paulista e reuniu aproximadamente 10 mil pessoas.

Para o presidente do PSTU e coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, o governo federal “só protege os banqueiros e empresários”. Segundo ele, de setembro do ano passado até agora foram fechados dois milhões de postos de trabalho. “Só a indústria automobilística demitiu 12.500 funcionários. E o Lula não toma nenhuma medida para proteger os trabalhadores”, protesta o sindicalista.

“O governo federal socorre as montadoras, o agronegócio e os banqueiros e diz que não tem dinheiro para a reforma agrária. O governo tem de parar de dar dinheiro para os ricos. Isso é inaceitável”, reforça o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP). Ele conta que no ano passado o governo federal pagou R$ 282 bilhões em juros e amortizações da dívida.

“O governo não quer investigar a origem da dívida. Na última quinta-feira, 13, o PT retirou os nomes de seus deputados da CPI que investigará a dívida pública brasileira.”, denuncia o deputado do PSOL.

Mas as criticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não partem só de seus opositores, alguns aliados também estão descontentes com os rumos da administração federal.

“O governo não conseguiu fazer as reformas agrária, urbana, educacional, tributária e política, porque é um governo contraditório. Mantém acordo com o capital financeiro, mantém o Meireles no Banco Central e nega dinheiro para a reforma agrária”, critica dirigente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) João Batista Lemos.

Reforma agrária

Para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o governo federal não tem compromisso com a reforma agrária. Os números apresentados pelos trabalhadores rurais informam que 90 mil famílias moram em acampamentos espalhados pelo país. Os índices de produtividade da terra também não são alterados desde 1964, segundo o MST.

“Estamos caminhando há mais de uma semana por reforma agrária. Já perdemos uma companheira no trajeto (militante morreu atropelada na rodovia Anhanguera). O dinheiro que é dado ao FMI deveria ser destinado para melhorar as condições de vida do povo. Vamos cobrar de Lula as promessas não cumpridas”, frisa o dirigente nacional do MST João Paulo Rodrigues.

“Sem terra ninguém vive. Estou aqui para lutar por quem não tem um pedaço de chão”, destaca o mais idoso dos sem terra. Luiz Beltrame de 100 anos, completa 101, em 10 de outubro, fez questão de acompanhar a marcha do MST à capital paulista.

Baiano de Paramirim veio para São Paulo há 85 anos, para trabalhar na roça. “Catava algodão, cortava cana e carpia a terra. Sempre trabalhei para os outros”, conta. Hoje, ele é assentado em uma fazenda conquistada pelo MST, em Promissão, no interior do Estado de São Paulo.

Viúvo e pai de oito filhos, Beltrame tem 47 netos, 68 bisnetos, 10 tataranetos e a certeza da disposição para a luta. Apesar da idade avançada, ele já participou de várias manifestações organizadas pelo MST.

“Fico muito satisfeito de ter a minha terra. Mas venho fazer força para que os outros tenham também”, afirma ao se referir à sua participação na marcha por reforma agrária.

Pedágio liberado

Além da manifestação na capital, os sem terra participaram de outros protestos no Estado. Na Baixada Santista, eles interromperam o trânsito na via Anchieta e participaram de manifestações em frente à RPBC (Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão).

Em Paulínia, região de Campinas, eles protestaram contra a construção de um pedágio que o governo do Estado pretende instalar na rodovia que dá acesso à Replan (Refinaria do Planalto). Os sem terra também participaram da manifestação organizada pelos petroleiros em frente à refinaria.

No Vale do Ribeira, os trabalhadores rurais ocuparam a praça de pedágio da rodovia Régis Bittencourt, na cidade de Eldorado, e liberaram o fluxo gratuitamente aos motoristas.

100 mil em Brasília

Tradicional adversário de Lula no movimento sindical, o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, surpreendeu com um discurso em defesa do governo federal.

“Não se pode atacar tanto, um governo que tem defendido os trabalhadores. Graças ao aumento do salário mínimo estamos saindo da crise. Temos de apoiá-lo, ano que vem tem eleição. Devemos tomar cuidado com o picareta do Serra”, afirmou Paulinho, logo após a intervenção crítica ao governo federal, realizada pelo dirigente do MST.

“Vamos colocar 100 mil pessoas em Brasília para reduzir a jornada de trabalho”, antecipa o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) , Artur Henrique.

A principal bandeira da CUT para o próximo período é a redução da jornada de trabalho, para 40 horas semanais, sem redução de salário. A Central pretende pressionar os deputados federais a aprovarem uma lei, ainda este ano, garantindo o benefício aos trabalhadores.

“Queremos que o Congresso vote medidas que favoreçam a classe trabalhadora ao invés de ficar discutindo a CPI da Petrobras”, afirma Artur Henrique.

Guerrilha do Araguaia

“A Guerrilha do Araguaia foi um marco na história. Não vamos abaixar a cabeça para aqueles que querem manter o povo na ignorância sobre essa realidade” afirmou o vereador Jamil Murad (PC do B–SP) à reportagem da Caros Amigos, durante a passeata na avenida Paulista.

Para Murad, a história pertence à sociedade civil. “É preciso abrir os arquivos da ditadura.” Ele conta que as Forças Armadas sabem onde estão os corpos dos guerrilheiros que foram assassinados pelo Exército.

“As Forças Armadas têm uma dívida com o povo”, destaca o vereador, ao se referir à necessidade de localização e identificação dos corpos dos guerrilheiros mortos no Araguaia, na década de 70.

Veja as fotos do Ato da Jornada Nacional de Lutas, realizado no dia 14 de agosto, na Avenida Paulista.

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