O POTE DE OURO ESTÁ REALMENTE NO ARCO-ÍRIS...

Ivan Cardozo

Quero trazer a problemática de um bairro de Atibaia chamado Arco-Íris, localizado próximo ao pouso de asa delta. Esse mesmo bairro dá acesso a diversas trilhas para se subir até a Pedra Grande, que é patrimônio público (e, se eu não me engano, público significaria que é de todos). Sendo assim, eu gostaria de saber o real motivo de ser colocada uma cancela e uma guarita com seguranças que mais parecem capangas, impedindo os não moradores do bairro de cruzarem a cancela de carro durante a noite, além de destratar as pessoas e ainda, por falta de preparo, fazer ameaças a quem resolver lutar por seus direitos e combater essa pilantragem.

A quadrilha da portaria se engrandece por ter o respaldo de algum juiz que mora lá dentro, além de muitos da high society atibaiana. Os moradores apelam para segurança particular em vias públicas, sabe por quê? Porque a prefeitura de Atibaia não dá a segurança que eles acham devida. Mas e agora? Vocês já pensaram o que ocorreria se todos que se sentem com medo de roubos fechassem suas ruas? Pois se esse é um direito deles, pode ser o meu também. Os juízes se acham com privilégios sociais maiores que os nossos, apesar de também serem nossos funcionários e estarem lá para zelar por nossa segurança e não somente pela deles. O descaso, a falta de educação e competência dessas autoridades já é moda na cidade do Bozo, mas diante desse absurdo a população não pode se calar. Estão impedindo nosso direito de ir e vir, direito básico da Constituição, cláusula pétrea jogada na lixeira.
Young define vida na cidade como “o estar junto de estranhos”; ”a vida na cidade exemplifica as relações sociais de diferentes sem exclusão”. Ela concebe seu modelo como um instrumento de crítica ao comunitarismo, este sendo o modelo usado para justificar os enclaves fortificados. Atibaia é o maior exemplo dessa comunidade citada por Young, que a cada dia pensa somente na Atibaia do lado de cá da ponte, na Atibaia turística, enquanto as classes mais baixas não podem nem se locomover graças a coronéis que ainda soltam seus capangas nas ruas. Enquanto os “gringos” levam a Amazônia, a elite de Atibaia leva a Pedra Grande para eles, como se fosse o quintal de suas casas. Para um governo que sempre governou para a elite, já era de se esperar que nada fosse feito em relação a isso, nenhum “representante do povo” da Câmara se meteria com a elite poderosa do Arco-Íris. Mas um dia o castelo financeiro cai e vai soterrar essa burguesia com suas próprias notas de cem, com sua própria arrogância. Estamos ansiosos por esse dia, em que iremos festejar a liberdade de um povo, liberdade real e não essa ditadura camuflada de nossa cidade, que preza por favorecimentos e homenagens a colegas, enquanto o povo é motivo pela elite.

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