Por: Carlos Bueno
O Estado, nos dias atuais, é movido pela “mercantilização” dos bens públicos, dentro da lógica do Estado mínimo, neoliberal, gerando superávits para a manutenção Contas Públicas e o pagamento dos juros da Dívida; no entanto, uma parcela desses bens públicos, os destinados à infraestrutura, não pode ser transformada em mercadoria, precisamente por servir de suporte para que a sociedade possa desenvolver-se. A “mercantilização” do transporte é tão-somente um pseudo-conceito do discurso neoliberal.
Essa “mercantilização” de mercadorias e serviços que deveriam ser prestados pelo Estado traz problemas para a sociedade. Segundo o Professor de Planejamento Urbano da FAUUSP, Csaba Deák, “mercadoria tem preço; serviço público tem tarifa. Tarifa não é para cobrir custos de produção; já assumidos pelo Estado. Tarifa regula a distribuição do serviço, vale dizer, quem tem acesso a ele. Alguns serviços são gratuitos; outros são tarifados, dependendo do estágio de desenvolvimento. Transporte público é geralmente tarifado, ainda que abaixo do custo de produção: o Estado cobre a diferença na forma de subsídios”. Assim, a análise para um preço justo da tarifa deve partir da capacidade dos trabalhadores para pagá-la; hoje a tarifa de transporte coletivo representa cerca de 1/3 do salário mínimo para os usuários que o utilizam diariamente, para ir e voltar de seus afazeres.
Para uma análise mais profunda sobre o transporte precisamos quebrar alguns paradigmas socioeconômicos. Um dos paradigmas mais importantes a ser quebrado é o de que o usuário do transporte público é o único responsável pelo seu custo, por ser o único beneficiado. Em entrevista à UNBTV, o ex-Secretário de Transportes da cidade de São Paulo, Lúcio Gregório, explicou que quando ocorre uma greve nos transportes algo curioso vem à tona. “As pessoas ficam angustiadas por não chegarem ao trabalho. Mas, passados alguns dias de greve, as coisas começam a ficar mais claras. O setor do comércio começa a falar: ‘olha, tem que acabar com essa greve, porque o pessoal não está chegando; não só os trabalhadores, mas os consumidores também, e estamos começando a ter prejuízo’. Começa ficar evidente que os grandes beneficiários do transporte na verdade não são os usuário”, afirmou o ex-Secretário. Gregório deixa claro que o transporte público, apesar de sua suposta finalidade social, beneficia mais o setor produtivo do que qualquer outro, apesar de não pagar por ele.
Em países europeus e mesmo nos Estados Unidos, o custo do sistema de transporte é dividido em 3 partes: uma parte é paga pelo Governo, outra, pelo usuário, e uma terceira parte é paga pelo setor produtivo, através da conhecida taxa-transporte. Uma forma possível de subsidiar-se o transporte no Brasil seria através do IPTU progressivo. O interessante acerca do sistema de transporte público vigente na maioria das cidades brasileiras é que o meio de transporte é reflexo do poder aquisitivo de quem o usa, sendo o transporte coletivo utilizado pelas pessoas de menor renda; ele tende a ser péssimo, devido a diversos fatores: primeiro, o histórico descaso da administração pública com as condições de vida da população mais pobre; segundo, .a exploração e “mercantilização” do transporte, entregue a empresários gananciosos e sob concessões monopolistas, que não estimulam a concorrência e a consequente melhora de serviços e tarifas; e, finalmente, a visão distorcida por parte da elite política, que enxerga a população como uma grande massa de manobra e de mão-de-obra, que precisa permanecer alheia aos acontecimentos políticos da cidade e aos seus direitos como cidadão e contribuinte.

eu acho que o sistema público de transporte está uma merda,porque o ônibus vive cheio
eu acho que os puliticos podiam por mais ônibus nas ruas em vez de ficar roubando dinheiro do povo trabalhador que sofre pra poder comer na quele dia em vez disso os politicos estão pegando dinheiro do povo.
o sistema de transporte é uma merda